Venda da Braskem é suspensa e deve ocorrer em 2023

Uma das maiores empresas do setor petroquímico do Brasil, Braskem está sendo ofertada por apenas R$8 bi, preço quase 80% abaixo das especulações de valor estratégico na B3

Maior empresa produtora de resinas termoplásticas, Braskem possui mais de 40 polos na América e Europa (Foto: Reprodução Braskem)

Por Marina Azambuja

Maior produtora de resinas termoplástica da América, a Braskem teve sua venda – que havia sido anunciada pela Petrobrás e Novonor no fim do último ano – adiada, no fim de janeiro, para 2023. A estatal é uma das acionistas majoritárias da companhia.

Ambas as empresas esperavam arrecadar pouco mais de R$ 8 bilhões com a venda da companhia que, segundo especulações, possui valor estratégico de R$42,7 bilhões na Bolsa de Valores brasileira (B3) . Por ser uma empresa de capital aberto, o preço pode variar de acordo com a cotação das ações.

Em dezembro do último ano, o Conselho Administrativo da Petrobrás aprovou um termo, via oferta pública de ações (follow-on), em parceria com a Novonor, em que era definido que a Braskem deveria ser transferida para a classificação mais elevada do Balcão da B3, com ações que estavam previstas para serem comercializadas, inclusive, na Bolsa de Nova Iorque ainda este ano.

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Para o professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), William Nozaki, a comercialização de uma empresa significativa como a Braskem é o reflexo de um desmonte que está arruinando as estatais brasileiras e reduzindo as empresas privadas nacionais.

A venda da Braskem materializa, de um lado, o desmonte da Petrobras, e, por outro lado, o encolhimento da Odebrecht, agora Novonor. O elo entre o capital estatal e o capital privado nacional vai sendo substituído pela vitória do capital privado internacional

William Nozaki, economista e coordenador do Ineep

O economista destaca que a inserção da Braskem no mercado possui importância no setor petroquímico brasileiro por ser a única empresa que engloba a primeira e a segunda geração de resinas termoplásticas no país. “A Braskem foi resultado de uma parceria estratégica em um setor chave da economia brasileira, a petroquímica. É a única empresa que integra primeira e segunda geração de resinas termoplásticas no Brasil”, explica.

Para Nozaki o preço do petróleo e a crise econômica e sanitária causada pela covid-19 influenciaram no preço de venda da empresa. “A alienação de capitais está sendo realizada em um momento de incertezas econômicas por conta da persistência da pandemia e da nova alta no preço do petróleo, por isso o negócio pode render menos do que deveria”, afirma.

Sobre a Braskem

 Criada em 2002 pela empresa Odebrecht e pela parceria do Grupo Mariani, a Braskem tornou-se a maior produtora de resinas termoplásticas na América e a maior produtora de polipropileno nos Estados Unidos. Com capacidade de produção de 16 milhões de toneladas de produtos químicos por ano, a empresa emprega mais de 8 mil trabalhadores e é ganhadora de diversos prêmios nacionais e internacionais de sustentabilidade.

Em meados de 2008, a Petrobrás adquiriu 47% das ações da empresa, tornando-se uma de suas acionistas principais, juntamente com a empresa Novonor (nova Odebrecht), que possui 50,1% das ações com direito a voto da companhia.

A Braskem produz resinas polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC), e trabalha com insumos químicos como eteno, propeno, butadieno, benzeno, tolueno, cloro, soda e solventes, entre outros componentes e está presente em quatro países com 40 polos entre o Brasil, Estados Unidos, México e Alemanha – sem considerar os escritórios que atendem mais de 70 clientes em todos os continentes.

Os produtos desenvolvidos pela petroquímica são considerados um dos melhores do mercado, além de colaborarem com o meio ambiente por possuírem uma produção sustentável, melhorando as condições de vida do planeta.

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