Luto, luta e muito debate: saiba como foi a assembleia do Grupo 5 da Replan

Companheiros fizeram homenagens e um minuto de silêncio para Odair Roberto Prado antes de intensos debates políticos e da aprovação das pautas de mobilização da categoria

Como vem ocorrendo nas assembleias pelo Brasil, petroleiros do grupo 5 da Replan aprovam indicativos da FUP na manhã desta sexta-feira (12) (Foto: Vítor Peruch)

Nem a forte chuva e os ventos que atingiram a Refinaria de Paulínia (Replan) na manhã desta sexta-feira (12) foram capazes de desmobilizar os trabalhadores e trabalhadoras do Turno 5. Em mais uma demonstração de unidade e compromisso com a defesa dos direitos da categoria, os petroleiros participaram da assembleia convocada pelo Sindipetro Unificado para debater e deliberar sobre os próximos passos da luta em todo o Sistema Petrobrás.

A atividade começou em clima de emoção e solidariedade. O diretor do Sindipetro Unificado, Carlos Reis, abriu a assembleia com um minuto de silêncio em homenagem ao companheiro Odair Roberto Prado, operador da área de Destilação da Replan, falecido nesta semana.

Ao longo de sua trajetória na refinaria, Odair construiu relações marcadas pelo respeito, pela amizade e pelo companheirismo, deixando um legado que permanecerá vivo na memória de colegas e amigos. 

Após os informes sindicais, teve início o debate sobre as duas deliberações apresentadas à categoria. A primeira trata da aprovação do calendário de mobilizações nacionais entre os dias 22 e 26 de junho para pressionar a Petrobrás a cumprir os compromissos assumidos com os trabalhadores em relação ao regramento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), à negociação do novo Plano de Cargos, Carreiras e Avaliação de Cargos (PCAC) e à mediação no Tribunal de Contas da União (TCU) para uma solução definitiva dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros. A segunda pauta refere-se ao apoio à reeleição do presidente Lula, considerada pela FUP (Federação Única dos Petroleiros) uma questão estratégica para o futuro da Petrobrás e da categoria petroleira.

Mesmo sob chuva intensa, os trabalhadores permaneceram mobilizados e participaram ativamente das discussões, reafirmando que a defesa dos direitos da categoria e da Petrobrás segue sendo uma prioridade. O clima foi de debate franco, democrático e participativo, com diversas intervenções avaliando o papel desempenhado pelo sindicato durante a greve de dezembro de 2025 e a necessidade de manter a pressão sobre a empresa para que cumpra os compromissos assumidos.

Os participantes destacaram a importância de avançar nas negociações do novo Plano de Cargos, uma reivindicação histórica da categoria, e de encontrar uma solução para os PEDs da Petros, que seguem impactando milhares de trabalhadores, aposentados e pensionistas. Também foi lembrado que a Petrobrás ainda não iniciou as discussões sobre o regramento das futuras PLRs, apesar dos compromissos firmados anteriormente.

Durante o debate, o diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Nascimento, fez uma defesa enfática da organização da categoria e da necessidade de manter a mobilização. “Construir e reconstruir é muito mais difícil, mais árduo do que destruir. O Bolsonaro passou o trator. E se ele não passou o trator inteiro aqui na Petrobrás, foi porque a gente conseguiu resistir”, afirmou, ao lembrar os ataques sofridos pela empresa e pelos direitos dos trabalhadores nos últimos anos.

Pedro também destacou que diversos avanços conquistados recentemente são resultado direto da luta coletiva. “Vamos comparar o que é o acordo coletivo que nós temos hoje ao acordo coletivo que nós tínhamos em 2022. Isso também é fruto da organização da categoria, dos indicativos da FUP”, ressaltou. Segundo ele, conquistas como o aumento real, o abono e melhorias em diversas cláusulas do ACT não surgiram por iniciativa da empresa, mas foram fruto das mobilizações e da greve realizada pela categoria.

Ao defender a aprovação das duas pautas, o dirigente reforçou a importância de combinar mobilização sindical e atuação política. “Reeleger o Lula é um passo fundamental e é fundamental manter a categoria mobilizada”, afirmou. Para Pedro, com a reeleição do atual presidente, as próximas lutas ocorrerão em um cenário diferente daquele vivido nos últimos anos. “A gente não vai estar lutando para perder menos, para não vender a minha unidade. A gente vai estar lutando para avançar”. Encerrando sua fala, ele defendeu a aprovação dos indicativos e reforçou que “a categoria petroleira tem um lado nessas eleições”, destacando a necessidade de seguir “combinando luta e um direcionamento político coerente em defesa da Petrobrás e dos direitos dos trabalhadores”.

Ao final da assembleia, os trabalhadores e trabalhadoras aprovaram os dois indicativos defendidos pela FUP e pelo Sindipetro Unificado. A pauta referente às mobilizações nacionais foi aprovada com apenas uma abstenção e um voto contrário. Já o apoio à reeleição do presidente Lula foi aprovado com apenas uma abstenção.

As assembleias seguem até o dia 19 de junho em diversas unidades do Sistema Petrobrás. Os trabalhadores podem conferir o calendário completo de atividades no site do Sindipetro Unificado:

https://sindipetrosp.org.br/sindipetro-unificado-convoca-assembleias-para-aprovar-calendario-de-lutas/

Veja as fotos da assembleia

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