Greve na Saúde da Replan: “É preciso cuidar e apoiar quem cuida da gente”

Nesta quinta-feira (6), os trabalhadores próprios da Petrobrás realizaram um ato em solidariedade aos grevistas da Ergo, responsável pelo Setor de Saúde da Replan

Alguns funcionários não têm reajustes salariais há quatro anos, nem mesmo para cobrir a inflação (Foto: Guilherme Weimann)

Guilherme Weimann

Ninguém faz greve porque quer ou porque gosta, mas algumas mobilizações – apesar de todas as dificuldades envolvidas – despertam diversos sentimentos coletivos favoráveis. É o caso da paralisação dos funcionários da Ergo, responsáveis pelo setor de Saúde da maior refinaria da Petrobrás e da América Latina, a Refinaria de Paulínia (Replan).

“O que vocês estão fazendo aqui possivelmente é inédito, não me recordo de ter presenciado uma greve do setor de Saúde da Replan. Nós estamos orgulhosos de vocês. Sintam-se abraçados, vocês são heróis. Precisamos utilizar o exemplo de luta desta greve para retomar o debate da criação de um pacto por remuneração justa para os trabalhadores do setor privado em toda a Petrobrás”, afirmou o responsável pela área de Responsabilidade Social da Replan e diretor do Sindipetro Unificado, Uiran Kopcak.

Na manhã desta quinta-feira (6), os trabalhadores próprios da Petrobrás atrasaram a entrada no turno em solidariedade aos grevistas. A decisão de cruzarem os braços desde segunda-feira (3) veio após uma postura intransigente da Ergo, que mantém contratos abaixo do piso e não reajusta salários há quatro anos.

“Depois de três meses de tentativa de negociação com a empresa, iniciamos a greve na última segunda-feira. O que nós queremos é o básico: os reajustes definidos pelos dissídios e a correção dos nossos salários conforme a inflação. O contrato da Ergo, de 24 milhões, prevê reajustes anuais que são feitos religiosamente pela Petrobrás, mas isso não é repassado para nós. Estamos a cada ano perdendo poder de compra, com desvalorização dos nossos salários”, afirma a médica do Trabalho, Paula Carolina Guissi.

Durante o ato, o diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Zanetti, frisou a importância da eleição da CIPA, que ocorrerá em breve na Replan, para poder tratar de todas as questões que envolvem segurança e saúde na unidade: “Precisamos votar e eleger os candidatos que estão alinhados aos interesses dos trabalhadores e não dos gestores, da empresa. É um espaço em disputa que precisamos ocupar”.

Por fim, o coordenador do Sindipetro Unificado, Steve Austin, apontou as contradições que essa greve escancara: “A Petrobrás tem todo um discurso institucional sobre a importância da saúde, principalmente a saúde mental. Mas como isso é possível se os trabalhadores que cuidam de nós, dos trabalhadores que mantém a Petrobrás, não tem o mínimo garantido? Por isso, é preciso cuidar e apoiar quem cuida da gente”.

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