APS descredencia quatro hospitais em São Paulo e reduz opções de petroleiros

Sindipetro cobra explicações após corte na rede credenciada; um dos hospitais retirados, na Zona Sul, ficou sem nenhuma unidade indicada no lugar — e a categoria questiona se a decisão respeita as regras da ANS

Hospital Paulistano, uma das quatro unidades descredenciadas pela APS em São Paulo (Foto: Reprodução/Hospital Paulistano)

Por Vítor Peruch

Quem trabalha ou mora perto do Butantã, de Santo Amaro ou da região central de São Paulo e contava com atendimento hospitalar próximo de casa vai precisar rodar mais quilômetros — e enfrentar filas maiores — em caso de emergência. A Associação Petrobras de Saúde (APS) comunicou, por decisão do grupo hospitalar, o descredenciamento de quatro unidades da rede: Hospital Paulistano, Hospital e Maternidade Metropolitano, Unidade Avançada Luz Butantã e Unidade Avançada Luz Santo Amaro. Como opção próxima, a operadora apontou apenas três unidades que já integravam sua rede credenciada — e para uma das regiões afetadas, a Zona Sul, sequer indicou uma alternativa.

O Sindipetro Unificado vem a público criticar a medida e cobrar da APS uma resposta sobre os critérios que levam, mais uma vez, ao encolhimento da rede de atendimento disponível para trabalhadores da ativa e aposentados.

Menos hospitais, mesma demanda

No informe de descredenciamento das quatro unidades, a operadora apontou como opções próximas o Hospital Oswaldo Cruz (Bela Vista), o Hospital São Camilo (Perdizes) e o Hospital São Luiz Morumbi (Jardim Guedala) — unidades que já faziam parte da rede credenciada. Nenhuma indicação foi feita para cobrir a saída da Unidade Avançada Luz Santo Amaro, que atendia moradores e trabalhadores da Zona Sul da capital.

Para a diretoria do sindicato, a conta não fecha: quatro saídas para três indicações já reduzem a capilaridade da rede, mas a ausência completa de alternativa numa região inteira da cidade evidencia o descaso da APS com quem depende do plano no dia a dia.

“A gente vem denunciando há tempos essa lógica de encolhimento da rede credenciada, que prioriza redução de custo em detrimento da qualidade e da proximidade do atendimento. Tirar quatro hospitais e indicar só três já é grave. Tirar um hospital de uma região inteira e não colocar nada no lugar é um descaso ainda maior com quem paga o plano e precisa dele funcionando”, afirma Rodrigo Araújo, diretor de Comunicação do Sindipetro Unificado e diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Descredenciamento pode contrariar regra da ANS

A forma como o corte foi feito levanta uma dúvida que vai além do discurso institucional. Desde dezembro de 2024, está em vigor a Resolução Normativa 585/2023 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que trata especificamente da alteração de rede hospitalar por operadoras de planos de saúde — incluindo autogestões como a APS.

A regra é clara em um ponto: se o hospital retirado for responsável por uma parcela relevante das internações da sua região de saúde nos últimos 12 meses, a operadora não pode simplesmente excluí-lo da rede — é obrigada a substituí-lo por um prestador equivalente, em regra no mesmo município. A norma também exige comunicação individualizada aos beneficiários com pelo menos 30 dias de antecedência.

Isso significa que a ausência de qualquer indicação para a Zona Sul, após a saída da Unidade Avançada Luz Santo Amaro, pode não ser apenas uma falha de comunicação — pode configurar descumprimento de uma obrigação regulatória. O Sindipetro Unificado ainda não tem acesso aos dados de utilização da unidade que permitiriam confirmar se ela se enquadra no critério da ANS, mas cobra da APS transparência sobre os números e sobre os critérios usados na decisão.

O Sindipetro Unificado solicitou à APS os dados de utilização da Unidade Avançada Luz Santo Amaro nos últimos 12 meses, informação necessária para verificar se a unidade se enquadra no critério da ANS que torna a substituição obrigatória. Até o fechamento desta matéria, os dados não haviam sido enviados. O espaço permanece aberto para manifestação. 

Não é caso isolado

Para o Sindipetro Unificado, o episódio reforça um padrão: decisões sobre a rede credenciada seguem sendo tomadas sem transparência e sem qualquer diálogo prévio com quem representa os beneficiários do plano.

“Isso não é a primeira vez, e a forma como a APS vem conduzindo essas mudanças mostra que, se a categoria não se mobilizar, não vai ser a última. A ANS tem regra clara: quando o hospital retirado tem peso relevante na região, a substituição é obrigatória, não uma escolha da operadora. A APS precisa vir a público explicar com que critério decidiu não repor a Luz Santo Amaro, e o sindicato vai protocolar essa cobrança formalmente. Saúde não pode ser tratada como planilha de corte de custos”, completa Rodrigo Araújo.

Menos vagas, mais espera

A redução no número de unidades credenciadas não é um problema apenas geográfico. Com menos hospitais disponíveis, a tendência é que a demanda se concentre nas unidades remanescentes, o que pode significar filas mais longas, mais dificuldade para conseguir leitos e vagas de internação, e sobrecarga também para as equipes médicas dessas instituições.

Em uma emergência, cada minuto de deslocamento a mais até um hospital distante pode ser determinante — um risco que a diretoria do sindicato considera inaceitável para uma categoria que já enfrenta jornadas desgastantes e turnos irregulares.

O que fazer agora

Diante da mudança, a orientação da APS é que os beneficiários busquem outras unidades credenciadas próximas por meio do Portal do Beneficiário ou do aplicativo Saúde Petrobras, e mantenham seus dados cadastrais atualizados.

O Sindipetro Unificado recomenda que, além disso, a categoria registre suas dificuldades de acesso à rede credenciada — seja pela distância, pela demora no atendimento ou pela falta de vagas — para que o sindicato tenha subsídios concretos na cobrança junto à APS e, se necessário, junto à própria ANS.

Denúncias e relatos sobre dificuldades de atendimento podem ser enviados aos canais de comunicação do Sindipetro Unificado.

 

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