Falas marcaram mobilização na refinaria em Paulínia; trabalhadores também participaram de assembleia e aprovaram proposta sobre PLR 2019

Mulheres petroleiras realizaram um ato com intervenções na manhã desta segunda-feira (9) na Refinaria de Paulínia (Replan), um dia após o Dia Internacional de Luta das Mulheres, para denunciar desigualdades de gênero ainda presentes no ambiente de trabalho e defender avanços na categoria.
As falas ocorreram na entrada da refinaria e reuniram trabalhadores e trabalhadoras, mesmo sob forte chuva. Após o ato, os presentes participaram de uma assembleia que aprovou por ampla maioria o acordo relativo à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2019 — mediado pelo Supremo Tribunal do Trabalho (TST), tema que também mobiliza a categoria.
Durante a atividade, a petroleira Joseane Garcia Sanches destacou situações cotidianas que, segundo ela, revelam a persistência de desigualdades no ambiente de trabalho: “Nós não podemos naturalizar que não exista banheiro feminino, como foi a realidade aqui por muito tempo. Não podemos naturalizar que o banheiro masculino seja reformado em poucos meses e o nosso apresente problemas por anos. Não podemos naturalizar que homens nos interrompam. Homens podem ter mais força física que nós, mas aqui dentro da refinaria já temos tecnologia suficiente para não depender de força física, somos tão capacitadas quanto os homens intelectualmente para estarmos aqui. Não nós queremos o lugar de vocês, queremos apenas poder ocupar o nosso lugar. Queremos apenas poder ganhar um salário igual, quando exercemos a mesma função.”
Outra intervenção ressaltou a situação das trabalhadoras terceirizadas e de subsidiárias da companhia. Para a diretoria do Sindipetro Unificado, Maria Julia Wegher, a vulnerabilidade dessas profissionais exige maior atenção da categoria: “É importante também recordar como as trabalhadoras do setor privado são ainda mais vulneráveis a atitudes machistas aqui dentro da companhia, seja na Petrobrás, como também nas subsidiárias. Vocês muito provavelmente já devem ter testemunhado assédios a essas trabalhadoras por colegas da Petrobrás. E isso não pode mais acontecer.”
A discussão também incluiu a responsabilidade dos homens no enfrentamento ao machismo. O coordenador geral do Unificado, Steve Austin, defendeu uma postura ativa diante de situações de desigualdade: “Nós, homens, temos um papel ativo no combate ao machismo. Precisamos nos conscientizar, mudar nossos hábitos e além disso não ser passivos quando visualizamos situação de desigualdade ou de violência de gênero.”
Assembleia sobre PLR

Após as falas e a distribuição de um jornal especial sobre o tema, os trabalhadores participaram de assembleia para discutir o acordo sobre a PLR 2019 mediado pelo TST. Segundo o dirigente Zanetti, a empresa propôs que quem já recebeu valores por decisão judicial não precise devolver os recursos, enquanto trabalhadores e sindicatos retirariam ações coletivas. As ações individuais das pessoas que optarem por aderir individualmente ao acordo também devem ser retiradas.
A Federação lembra que também já foi aprovado em assembleia uma contribuição que será realizada por cada pessoa que aderir ao acordo para que através da solidariedade de classe e da auto organização dos trabalhadores seja garantido o pagamento dos mesmos valores líquidos, recebidos pelos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás e Transpetro, a todos sindicalizados das demais empresas do Sistema. O acordo, no entanto, só será firmado se for aprovado pelos 14 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Caso algum sindicato rejeite a proposta, a negociação retorna à mesa.
Na Replan, a proposta foi aprovada por ampla maioria, com apenas dois votos contrários. As rodadas de assembleias seguem nas bases do Sindipetro Unificado. Confira o calendário: https://sindipetrosp.org.br/unificado-convoca-assembleias-para-avaliar-acordo-de-plr-2019-mediado-pelo-tst/
Mulheres também participaram de ato em Campinas
No dia anterior, 8 de março, petroleiras também participaram do ato unificado do Dia Internacional de Luta das Mulheres em Campinas, que reuniu movimentos sociais, sindicatos e organizações feministas na cidade.









