Sindicato cobra Transpetro por efetivo insuficiente e alerta para riscos operacionais

Empresa se comprometeu a apresentar dados por escrito após reunião em 3 de junho, mas ainda não respondeu

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Trabalhadores e trabalhadoras da Transpetro seguem atuando com equipes reduzidas e sobrecarregadas (Foto: Roberto Parizotti)

Em 3 de junho de 2025, representantes do Sindipetro Unificado se reuniram com a Gerência Geral do Planalto de São Paulo e demais gestores da Transpetro para tratar de temas relacionados às condições de trabalho, com foco na situação do efetivo.

Durante a reunião, a empresa informou um aumento de 7% no efetivo da Transpetro a nível nacional, o que representa a entrada de 435 novos trabalhadores. O sindicato cobrou que a empresa formalize por escrito quantos desses profissionais foram destinados para a base paulista e em quais setores foram alocados. Segundo a entidade, essa transparência é essencial para acompanhar de perto o processo de recomposição de equipes.

“O que temos visto na prática não condiz com o que foi anunciado. Há grupos de operação com apenas dois operadores por turno, quando o ideal seria ao menos quatro ou cinco. A figura do PEO, responsável por emitir Permissões de Trabalho (PT), está ausente em todos os terminais da base, sobrecarregando os operadores que precisam assumir essa função”, afirma Rodrigo Araújo, diretor do sindicato.

Além da operação, outros setores seguem severamente afetados, como manutenção, SMS, inspeção, Obras e o Centro Emergencial de Reparo de Dutos (Creduto). De acordo com Araújo, a manutenção enfrenta aumento de demanda com menor estrutura, e a aplicação de procedimentos como LIBRAS tem exigido maior responsabilidade dos trabalhadores, inclusive em manobras e emissão de PTs.

“No setor de inspeção, lidamos com uma enorme complexidade de equipamentos, agravada pela alta média de idade dos trabalhadores. Há problemas ergonômicos sérios, sobretudo no acesso a espaços confinados”, explica o dirigente. Ele também destaca que a exclusão de trabalhadores do adicional de dutos provocou uma debandada espontânea em setores como Inspeção e Creduto.

A situação no setor de obras também é crítica: há casos em que um único trabalhador é responsável por dois ou até três terminais. Já no SMS, em várias unidades o quadro só é mantido com apoio de trabalhadores terceirizados, que são bem vindos, mas não com sobrecarga ou como tapa buracos.

O diretor também alertou para o impacto direto da redução de efetivo na segurança dos trabalhadores. “Recentemente, tivemos diversas mortes no Sistema Petrobrás. A maioria ocorreu na Transpetro. Em todas as investigações em que o sindicato atuou, o fator efetivo aparece como uma das causas contribuintes. Além disso, há uma enorme sobrecarga e dificuldade de cumprimento das próprias normas e padrões da empresa.”

LEIA MAIS: Bronca do Peão – As contradições da gestão da Transpetro

Na reunião, a empresa reconheceu que ainda existem nomes no cadastro de reserva e concordou em apresentar uma atualização sobre esses dados, incluindo a divisão por setor. No entanto, mais de um mês após o encontro, nenhum retorno foi apresentado.

“A empresa se comprometeu verbalmente a formalizar as informações, mas até agora nada foi entregue. O sindicato continuará cobrando respostas, conversando com a categoria e avaliando a necessidade de mobilizações, caso a situação persista”, conclui Araújo.

O histórico do sindicato aponta que, no auge do efetivo do sistema, chegava a haver cinco operadores por turno. Hoje, os relatos da base indicam pressão constante, insegurança e, em alguns casos, profissionais trabalhando sozinhos em áreas operacionais.

 

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