Petroleiros subsidiam venda de 100 botijões de gás em Cosmópolis, São Paulo

Moradores comparecem massivamente para comprar botijão de gás subsidiado pelo Sindipetro pelo valor de R$ 40; objetivo da ação foi dialogar com a população sobre as consequências da política de preços estabelecida pela direção da Petrobrás

Foto: Eric Gonçalves

No final da tarde desta quinta-feira (13), dia em que a greve nacional dos petroleiros completa 13 dias, mais de uma centena de moradores do município de Cosmópolis, no interior de São Paulo, compareceu ao ato organizado pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP).

Como uma forma de dialogar com a população sobre a mudança na política de preços da Petrobrás, que passou a acompanhar a variação internacional do preço do barril do petróleo, foram vendidos 100 botijões de gás, por uma distribuidora local, pelo valor de R$ 40,00. O sindicato subsidiou os outros R$ 30,00.

Para o diretor do Sindipetro-SP, Arthur Bob Ragusa, a ação visa mostrar para a população que os altos preços dos combustíveis são resultado de uma escolha política do governo e da direção da empresa. “Esse é o valor que as associações dos engenheiros apontaram que seria possível vender o botijão de gás sem causar prejuízo à Petrobrás. Mas é importante frisar que sem uma determinação política, sem políticas públicas, não será possível abaixar o preço do gás e de outros combustíveis”, explicou Ragusa.

Durante a distribuição, a reportagem ouviu depoimentos de quatro moradores, que se mostraram animados com a atividade, mas também relataram as dificuldades que estão enfrentando mensalmente para pagar o gás. Uma das entrevistadas, inclusive, relatou que muitos dos seus vizinhos migraram para o fogão à lenha, pela impossibilidade de pagar pelo gás.

Confira abaixo os depoimentos:

Ed Wilson Thomaz, 52 anos, vigilante.

Foto: Eric Gonçalves

“Trabalho em Paulínia, mas moro há 30 anos aqui. O futuro aqui de Cosmópolis está bem difícil. Pra trabalhar aqui é completamente difícil. A minha esposa é professora e já não aguenta mais aqui. Nós gostamos da cidade, mas, infelizmente, a situação que estamos vivendo está muito complicada. Esse é um protesto muito válido. Mostra que nós não podemos nos calar nunca em relação aos preços. Nós não podemos viver às custas de americanos ou estrangeiros, nós temos que viver a nossa realidade daqui. Nós queremos ver o país crescer, não ser destruído. Nós estamos próximos da cidade de Paulínia onde é produzido o gás, mas a gente não pode pagar tão caro assim.”

Sandra Regina Mariano Hilário, 58 anos, doméstica aposentada.

Foto: Eric Gonçalves

“Eu sou nascida e criada em Cosmópolis. Vivo no bairro Parque dos Trabalhadores. Excelente ideia essa atividade. É um absurdo o preço que nós estamos pagando aqui em Cosmópolis. Eu já cheguei a pagar 80 reais aqui em um botijão de gás. Ainda bem que eu ainda consigo pagar. Mas tem muitos vizinhos que não conseguem pagar. Eles têm que juntar lenha pra fazer seu arroz e seu feijão. Minha vizinha é uma que está cozinhando à lenha. É uma pouca vergonha pagar esse valor, sendo que a Petrobrás é aqui do lado.”

João Ostanelo, 62, motorista aposentado.

Foto: Eric Gonçalves

“Moro na Avenida dos Trabalhadores. Essa ação é muito boa porque hoje a gente vê que o preço do gás não é realmente aquilo que a gente paga. O que a gente tá pagando pelo botijão influencia muito na nossa renda. Eu tô pagando de 60 a 65 reais, e isso porque eu pesquiso. Aumentou muito [o preço do botijão] nos últimos anos. No final do ano, eu estava pagando 50, 55 reais. Se o cara vai entregar na sua casa fica 80 reais o botijão de gás. Sobre a greve, eu acho uma tremenda sacanagem o a direção da empresa está fazendo com os petroleiros.”

Roni Peterson, 45 anos, desempregado.

Foto: Eric Gonçalves

“A atividade foi muito boa porque ajudou a gente. Que pena que foi só 100 botijões, podia ser muito mais. Atualmente, eu tô pagando 70 reais no botijão. Pra gente que tá desempregado, por causa da política desse cara aí, tá muito difícil pagar. Hoje vai ajudar bastante, vai dar pra inteirar a conta de luz, de água. Só quem paga a conta é a gente, a classe pobre. Meu irmão que mora em Guarulhos paga 60 reais. A gente que mora aqui do lado da Petrobrás tá pagando 70 reais. Eu não consigo entender isso. Como é que pode?”

*Por Guilherme Weimann