Padre Júlio Lancellotti visita Sindipetro Unificado e debate moradia e desigualdade

Religioso participou de debate sobre moradia na sede do sindicato; atividade é fruto de parceria entre o Unificado e o Fundo Haja

“A metodologia é conviver com os que sofrem, com os que nada tem, com os rejeitados”, afirmou Padre Júlio (Foto: Guilherme Weimann)

Por Marcelo Aguilar / Fotos: Guilherme Weimann

A tarde desta sexta-feira (17) foi inesquecível e de casa cheia na sede de Campinas do Sindipetro Unificado. Centenas de pessoas se reuniram para debater o acesso à moradia junto ao Padre Júlio Lancellotti, na atividade organizada pelo Fundo Haja, associação sem fins lucrativos formada por cidadãos que atuam para transformar imóveis vazios em moradias acessíveis. O projeto adquire e restaura prédios, especialmente os de valor histórico e cultural localizados em áreas centrais de Campinas, para disponibilizá-los como locação social. 

A atividade teve como objetivo apresentar as ações do grupo e promover um debate sobre o acesso à moradia e os caminhos da luta contra a desigualdade e a fome. O Padre Júlio é uma referência nesse sentido e dividiu sua experiência e reflexões com o público, que acompanhou atentamente a atividade. O coordenador geral do Sindipetro Unificado, Steve Austin, destacou a importância do evento: “Sem dúvidas a tarde de hoje será muito lembrada pelos petroleiros e petroleiras, recebemos um companheiro que é uma referência na luta e reafirmamos junto como ele o compromisso de não deixar ninguém para trás”.

Durante o evento, Lancellotti afirmou: “Morar é um ato de resistência, um direito humano fundamental para todos. Todos temos que ter um lugar para repousar, pensar, sonhar e descansar. Dormir na calçada é muito perigoso, perturba a saúde mental”. O religioso frisou a necessidade de viver a realidade dos que define como “os últimos” do sistema, os rejeitados: “Quem não tem onde morar sabe também sonhar e onde quer habitar. Que nós sejamos capazes de sonhar com eles, não sonhar por eles. A metodologia é conviver com os que sofrem, com os que nada tem, com os rejeitados”.

A aposentada Eliane Frozel, petroleira com 36 anos de Petrobrás e diretora do Sindipetro Unificado, disse na mesa que é necessário lutar contra a desigualdade: “A classe trabalhadora petroleira sempre foi e será uma classe de luta, não luta só por trabalho, mas luta por justiça social, que é ao que o Padre Júlio Lancelloti se dedica, melhorar a vida e melhorar a sociedade. Nós não podemos continuar nessa desigualdade, o mundo passa por momentos muito difíceis. Cabe a cada um de nós nos comprometer com o outro e com o próximo”. 

Padre Júlio refletiu sobre a dureza da luta: “Nossos pés doem, mas não podemos deixar de caminhar, precisamos de reflexões cada vez mais profundas, buscar as respostas, não podemos ter medo de errar, isso faz parte da natureza humana. Vamos errar porque somos imperfeitos, mas precisamos refletir juntos com nossos irmãos e irmãs em situação de rua, cada passo nesta dura luta. Nós escolhemos um lado, e nesse lado seremos feridos. Quem está do lado dos últimos, vai apanhar, quem está do lado dos descartados, descartado será”. E reafirmou a esperança: “Essa atividade de hoje é uma forma de recordar, de nos comprometer, de caminhar juntos e não nos sentirmos sós. Não desanimem, parece que nós vamos perder, mas vamos continuar, porque um dia a vitória vai chegar”. 

Posts relacionados

Classe trabalhadora ocupa Brasília em marcha por direitos e soberania

Maguila Espinosa

TST homologa acordo sobre PLR 2019 com o Sindipetro Unificado

Maguila Espinosa

Sindipetro Unificado participa de marcha em defesa do SUS em Campinas

Maguila Espinosa

ACT 2025

Responda a pesquisa da campanha reivindicatória 2025