Dicas

Antônio Carlos Pimenta | Elétrica/Replan | Livro “O Diário de Anne Frank” foi tão impactante pra mim, que fui conhecer a casa verdadeira onde a garota viveu.
Eduardo Coselli Vasco de Toledo | HA/Replan | Filme Um filme que está em alta e eu recomendo é “Coringa”, porque trata das questões sociais e psicológicas que vivemos.
Hermes Rangel | aposentado da Recap | Música “Novo Tempo”, de Ivan Lins. A mensagem que a música transmite é inspiradora.
Esporte
Luta contra o racismo

Por Norian Segatto
Um dos caminhos de ascensão social dos negros é pelo esporte e há quem use esse argumento para afirmar que não existe racismo nos meios esportivos. A vida de atletas negros mostra o quanto isso está longe de ser verdade; mesmo consagrados, muitos convivem cotidianamente com manifestações racistas.

Às vésperas da Segundo Guerra Mundial, em 1936, Hitler quis mostrar ao mundo a superioridade da raça ariana durante os jogos olímpicos em Berlim, mas quem brilhou foi um negro franzino, o afro-americano Jesse Owens. Neto de escravos, Owens, então com 23 anos, bateu quatro recordes olímpicos: 100 e 200 metros rasos, revezamento de 400 metros e salto em distância. Nessa última modalidade, a vitória foi sobre o alemão Lutz Long. Hitler foi embora do estádio sem cumprimentar o atleta negro.
O campeão mundial de boxe, Cassius Clay, mudou de religião e de nome ao se conscientizar do racismo incrustado na sociedade dos Estados Unidos. Se tornou Muhammad Ali, muçulmano, lutador das causas de seu povo. Em 1967, se negou a servir o Exército e ser enviado para o Vietnã: “Por que me pedem para vestir uma farda, viajar 10 mil quilômetros e matar vietcongues, se eles nada fizeram de mal para mim?”, declarou, ciente de que sofreria ainda mais perseguições.
O ano de 1968 também assistiria a um momento histórico: durante os jogos olímpicos no México, John Carlos e Tommie Smith ergueram os braços e suas luvas negras (gesto típico do movimento político Black Power) para protestar contra o racismo e pelos direitos civis. Pelo seu ato, John Carlos foi expulso dos jogos pelo Comitê Olímpico dos EUA.
O Brasil também está repleto de casos de racismo e luta por dignidade. Eles acontecem em número incontável, vão de xingamentos pela torcida à hostilidade em redes sociais, ameaças e ataques físicos, independentemente do status do atleta. Muitos devem lembrar da banana jogada em Daniel Alves, em 2014, quando defendia o Barcelona.
Uma dessas vítimas do preconceito racial, social e sexual foi Rafaela Silva, primeira atleta a ganhar a medalha de ouro no judô (nas olimpíadas do Rio, em 2016). Negra, lésbica e nascida em uma favela do Rio, Rafaela foi virulentamente ofendida quatro anos antes, quando foi eliminada dos jogos de Londres. “Pensei em abandonar o esporte” chegou a declarar na época. Nem a volta por cima, com a medalha de ouro fizeram cessar os ataques contra ela.
Em 2014, o então goleiro do Santos, Aranha, ouviu durante quase toda a partida ser chamado de macaco por torcedores do Grêmio. O jogador não aceitou calado ao

açoite e protestou. O clube gaúcho foi penalizado com a exclusão da Copa do Brasil, mas o ato marcou toda a carreira posterior de Aranha.
Em 2018, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol publicou o relatório anual de discriminação racial no futebol e em outros esportes, apresentando 77 casos ocorridos no ano anterior envolvendo casos de racismo, lgbtfobia, xenofobismo e machismo. Um triste e realístico retrato de nossa racista sociedade.
Baixe aqui o RELATORIO_DISCRIMINCACAO_RACIAL_2017
Cultura
O cinema preto pede passagem

Em 2016, na 89ª edição do Oscar, a Academia de Cinema de Hollywood foi duramente criticada por não ter, pelo segundo ano consecutivo, nenhum negro ou negra indicado para as principais premiações. O cinema, principalmente dos EUA, ainda é predominantemente branco.

Conforme o site Geledes, pesquisa realizada pela University of Southern California com mais de 30 mil personagens de filmes de maior bilheteria entre 2007 e 2014 apontou uma vasta predominância de protagonistas brancos. Entre os 100 maiores filmes de 2014, por exemplo, somente 17 tiveram atores não-brancos como protagonistas ou co-protagonista.
Em toda a quase centenária premiação do Oscar, apenas uma mulher negra recebeu o prêmio de melhor atriz (Halle Berrer, em 2002, no filme “A última ceia”) e quatro atores negros (Sidney Poltier, Denzel Washington, Jamie Foxx e Forest Withaker).
Confira alguns filmes que tratam de questões raciais
Corra! – de Jordan Peele (2017)
Moonlight – de Barry Jenkins (2017)
Infiltrado na Klan – de Spike Lee (2018)
Django Livre – de Quentin Tarantino (2013)
12 Anos de Escravidão – de Steve McQueen (2014)
Ali – de Michael Mann (2001)
Histórias Cruzadas – de Tate Taylor (2011)
A Hora do Show – Spike Lee (2000)
Conduzindo Miss Daisy – de Bruce Beresford (1989)
A Cor Púrpura – de Steven Spielberg (1985)
Mississipi em Chamas – de Alan Parker (1988)
Duelo de Titãs – de Boaz Yakin (2000)
À Procura da Felicidade – de Gabriele Muccino (2006)
Faça a Coisa Certa – de Spike Lee (1989)
What Happened, Miss Simone? – de Liz Garbus (2015)
Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução – documentário de Stanley Nelson (2015)
