Roda de conversa reuniu especialistas e trabalhadoras para discutir violência doméstica e no trabalho; próxima atividade será workshop de autodefesa no dia 26

O Sindipetro Unificado realizou nesta sexta-feira (13) uma roda de conversa sobre violência doméstica e violência no trabalho, reunindo especialistas e trabalhadoras na sede regional de Campinas. A atividade integrou a programação do Mês das Mulheres organizada pelo sindicato.
Participaram do debate a psicóloga Fernanda Gramostin, a advogada Luciana Barretto, a psicóloga Ana Ada Migotto e a advogada Letícia Corrêa. O encontro abordou os aspectos psicológicos, sociais e jurídicos da violência contra mulheres e estimulou a troca de experiências entre as participantes.
Durante a atividade, a advogada Luciana Barretto destacou a importância de tratar o feminicídio como um problema social amplo. “É um tema muito importante os homens estarem presentes, porque não dá para falar de feminicídio apenas com as vítimas. Os homens também precisam contribuir com essa luta”, afirmou. Segundo ela, a criação de estatísticas e legislações específicas trouxe visibilidade para a violência contra mulheres. “Antes disso, as mulheres mortas eram tratadas junto com todos os homicídios.”
Barretto também ressaltou que o feminicídio costuma ser o desfecho de um processo gradual de violência. “Esse roteiro começa na violência psicológica, no controle de bens, em ameaças, e pode culminar na violência extrema, que é tirar a vida da mulher.”
A advogada Letícia Corrêa chamou atenção para as raízes estruturais do problema. “Hoje o feminicídio tem nome e está no Código Penal, mas as raízes são muito mais profundas e invisíveis. Muitas vezes começa com frases, comentários ou comportamentos naturalizados que parecem pequenos, mas fazem parte de uma estrutura que nos atravessa como sociedade.”
“Hoje o feminicídio tem nome e está tipificado no Código Penal, mas as raízes dele são muito mais profundas e invisíveis. A gente vê a árvore, mas não vê o que está incrustado debaixo da terra. Com a violência doméstica é parecido: muitas vezes começa com uma frase, um comentário ou um comportamento que parece pequeno”, afirmou a advogada.

A psicóloga Ana Ada Migotto ressaltou que a violência nem sempre é visível. “Nós pensamos na ‘vítima perfeita’, a mulher machucada ou com marcas físicas. Mas muitas vezes a violência é psicológica. Tenho pacientes que acreditam ser menos que o marido por causa do trabalho que têm, e isso é reforçado dentro da própria relação.”
Fernanda Gramostin também destacou a reprodução cultural do machismo desde a infância. “Muitos homens repetem comportamentos que viram em casa, como decidir se a mulher pode estudar, trabalhar ou até escolher que roupa usar. São pequenas coisas que mostram como essa lógica se constrói.”
A roda de conversa gerou debates entre as participantes, que compartilharam experiências pessoais e reflexões sobre o enfrentamento da violência no cotidiano e no ambiente de trabalho.
A programação do Mês das Mulheres no sindicato terá continuidade no dia 26 de março, das 9h às 12h, com o workshop Empodere-se – Autodefesa Feminina, atividade prática voltada ao fortalecimento da autonomia e da segurança das mulheres.
O evento é gratuito, inclui coffee break e possui vagas limitadas. As inscrições podem ser feitas pelo WhatsApp do sindicato: (19) 99794-4718.




