Sindipetro Unificado encerra mês da mulher em Campinas com coral, Lian Gong e autodefesa, reforçando prevenção à violência e rede de apoio às trabalhadoras

Por Vítor Peruch
O Sindipetro Unificado encerrou nesta quinta-feira (26) a programação do Mês das Mulheres na sede regional de Campinas, com uma manhã que misturou cultura, bem-estar e autodefesa. Apresentação do Coral Voz Livre, prática de Lian Gong com a professora Milena Machado e um workshop ministrado pelo projeto Empodere-se marcaram o encerramento de um mês dedicado à conscientização e ao fortalecimento das trabalhadoras do setor petroleiro.
Um dos pontos altos da programação foi a aula de autodefesa feminina conduzida pelo Empodere-se, projeto criado em Campinas pela advogada e ex-investigadora da Polícia Civil Amanda Lemes, de 39 anos. Com uma década de atuação na área e passagem por 19 unidades da Petrobrás — refinarias e prédios administrativos espalhados pelo Brasil —, Amanda levou às participantes técnicas práticas de reação física e orientações jurídicas sobre como agir diante de situações de violência.
“Está acontecendo dentro de casa uma discussão. A gente fica ali para escalar essa discussão e virar uma violência física? Não, a gente procura uma saída. Mas a gente não pode deixar de denunciar”, afirmou Amanda durante o workshop. “É melhor a gente parecer doida do que a gente virar vítima”.
A advogada destacou os canais de apoio disponíveis para as mulheres: o número 180, serviço federal de atendimento, o serviço de advocacia do próprio sindicato e, para as efetivas da Petrobrás, o canal interno de acolhimento e denúncia da empresa. Ela também lembrou que a Lei Maria da Penha é mais eficaz do que o senso comum faz crer. “Em 90% dos casos, a Lei Maria da Penha é eficaz. A gente ouve muito falar de quando ela não é, mas é muito importante a gente saber que ela nos ajuda”.
O workshop é parte de um março que esteve marcado por reflexões sobre a violência doméstica e no trabalho. No dia 13, uma roda de conversa com a psicóloga Fernanda Gramostin, a advogada Luciana Barretto, a psicóloga Ana Ada Migotto e a advogada Letícia Corrêa reuniu trabalhadoras para debater os aspectos psicológicos, sociais e jurídicos da violência de gênero. Na ocasião, Barretto alertou que o feminicídio raramente ocorre de forma isolada. “Esse roteiro começa na violência psicológica, no controle de bens, em ameaças, e pode culminar na violência extrema, que é tirar a vida da mulher”.
A programação de encerramento contou com a presença de homens, saudados pelas instrutoras como aliados na causa. Ao fim das atividades, participantes e convidados ergueram as mãos e gritaram três vezes, em coro: “Não.” O grito, ensinado durante o workshop como ferramenta de reação em situações de perigo, virou símbolo coletivo do dia. “Sindicato, empodere-se”, completou Amanda, encerrando a manhã, e com ela, as atividades do mês da mulher no Sindipetro Unificado.











