Petroleiros protestam na Replan contra terceirização na PBio 

Após atos em São Caetano e Capuava, petroleiros protestam em Paulínia e seguem mobilizações amanhã em Barueri e unidades da PBio

Trabalhadores comemoram 72 da Petrobrás em luta pela defesa da empresa (Foto: Guilherme Weimann)

Por Vítor Peruch / Fotos: Guilherme Weimann

O Sindipetro Unificado realizou, na manhã desta quinta-feira (2), um ato na Refinaria de Paulínia (Replan). A mobilização integra a série de protestos convocados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) contra as privatizações e em defesa de um “Brasil soberano”, que culminam nesta sexta-feira (3), data em que a Petrobrás completa 72 anos.

As atividades tiveram início na terça-feira (30), no Terminal da Transpetro de São Caetano do Sul, seguiram na quarta (1º) na Refinaria de Capuava (Recap) e chegaram hoje à maior refinaria da Petrobrás, em Paulínia. Amanhã, além de um ato no Terminal de Barueri, estão previstos protestos em unidades da Petrobrás Biocombustível (PBio) em Montes Claros (MG) e Candeias (BA) e em refinarias de São José dos Campos (SP), Araucária (PR) e Canoas (RS).

(Foto: Guilherme Weimann)

O futuro da PBio dominou os discursos. Uiran Kopcak, responsável pela área de Responsabilidade Social da Replan, destacou a importância estratégica da subsidiária para a transição energética da companhia: “A PBio é fundamental para a estratégia da empresa, hoje e principalmente para o futuro. Temos uma porcentagem crescente de renováveis em nossos combustíveis — biodiesel no diesel, álcool na gasolina e, mais recentemente, o querosene produzido a partir do álcool. A Petrobrás precisa ter controle sobre a cadeia de produção dos biocombustíveis. Uma PBio mais forte, comprando ou construindo novas usinas, é essencial para o futuro da companhia”, afirmou.

Segundo Kopcak, a relevância da PBio se dá também em comparação internacional: “Na Europa, a transição energética se apoia na eletrificação, mas boa parte dessa eletricidade ainda vem de fontes fósseis. O Brasil tem potencial único com o etanol e com os biocombustíveis. É um caminho ambientalmente mais importante para o mundo, e não faz sentido a Petrobrás estar fora desse sistema”.

Juliano Deptula, diretor do Sindipetro Unificado, alertou para os riscos do modelo de negócio proposto pela atual gestão da PBio. “Um diretor da empresa chegou a apresentar em Live um modelo sem trabalhadores próprios, com cessão de mão de obra e terceirização total, inclusive da atividade-fim. Esse formato já existiu na ANSA e terminou em demissões em massa em 2020. Há o risco de que isso se repita e de que a lógica se espalhe pela Petrobrás”.

A trabalhadora da TBG e diretora do Sindipetro, Maju Wegher, disse compreender a insegurança dos empregados da PBio: “Como trabalhadora de uma subsidiária, entendo o sentimento de invisibilidade dentro do Sistema Petrobrás. A cada quatro anos, com a mudança de governo, não sabemos se vamos ficar ou ir embora”, disse, antes de ler o poema Primeiro levaram os negros, de Bertolt Brecht (1898-1956), para simbolizar o avanço da exclusão e das perdas de direitos.

Além da pauta da PBio, o ato também tratou da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Para Pedro Augusto, diretor do Sindipetro, a mobilização dos trabalhadores tem demonstrado força: “A Petrobrás sabe quando a categoria está mobilizada. E a vitória da classe trabalhadora ontem no Congresso, com a aprovação da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos, é um exemplo de que mobilizar vale a pena.”

Já Rodrigo Araújo criticou a política de austeridade da atual gestão: “Essa política não permite gastar com os trabalhadores, mas vemos empresas terceirizadas quebrando, atrasando salários e cortando benefícios. No fim, quem paga a conta é sempre o trabalhador”.

A aposentada Eliane Frozel, com 36 anos de Petrobrás, pediu solidariedade da categoria ativa: “Quando me aposentei, esperava tranquilidade. Mas, desde 2019, já perdemos cerca de 45% da renda com os equacionamentos da Petros. Não podemos mais fazer greve, por isso precisamos do apoio dos que estão na ativa”.

Deptula lembrou ainda dos desgastes recentes nas negociações de PLR e ACT, afirmando que a empresa “enganou a categoria na mesa de negociação” e que a mobilização precisa se manter para evitar novas perdas.

Steve Austin e Rodrigo Zanetti, diretores do sindicato, convidaram a categoria a participar das próximas atividades sobre saúde e segurança, com destaque para o debate que ocorre nesta sexta-feira (3), na Fundacentro em São Paulo, a visita do Padre Júlio Lancellotti ao Sindipetro Unificado no dia 17/10 e o seminário sobre benzeno que acontece no próximo dia 28, em Campinas.

Ao final do ato na Replan, os trabalhadores e trabalhadoras também cantaram parabéns à Petrobrás, que completa 72 anos. Em clima de celebração e resistência, a categoria levou um bolo para marcar a data, reforçando o orgulho pela história da empresa e, ao mesmo tempo, a disposição de defendê-la contra as ameaças de privatização e retrocessos.

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