Troca-troca na Petrobrás é um dos motivos para oscilações na B3, segundo especialistas

Desde a última semana, as ações da Petrobrás na Bolsa de Valores oscilaram com a possível saída do presidente da companhia e chegaram a ser interrompidas após o anúncio de renúncia 

José Mauro Coelho deixou a presidência da Petrobrás na última segunda (20) após novo aumento dos combustíveis (Foto: André Ribeiro/Agência Petrobrás)

Por Petróleo dos Brasileiros 

Na manhã da última segunda-feira (20), a Petrobrás anunciou a renúncia do presidente da companhia, José Mauro Coelho, que ficou no cargo por apenas 68 dias. Coelho foi o terceiro CEO da empresa a deixar a presidência em menos de quatro anos. Durante a mudança, as ações da estatal na Bolsa de Valores (B3) foram suspensas.

Após o ocorrido, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu dois processos para investigar a empresa, o primeiro para apurar as notícias que antecederam a renúncia de Coelho, o segundo para averiguar a “movimentação suspeita” registrada na B3 na última sexta-feira (17). 

Assessor jurídico da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Angelo Remedio diz que o anúncio oficial de renúncia de Mauro Coelho durante o início das operações na B3 não configura nenhum tipo de infração da Petrobrás. “É uma questão que causa estranha insegurança, mas não é crime porque foi ele quem pediu para sair durante o pregão, não a empresa que demitiu”, explica. 

Presidente da Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários (Anapetro), o petroleiro Mario Dal Zot afirma que a entidade busca entender os motivos que levaram Coelho a renunciar. “Precisamos saber se ele [Mauro Coelho] sofreu algum tipo de pressão para renunciar, porque a mudança é normal, agora a renúncia precisa ser analisada”. 

O petroleiro explicou também que a Anapetro aguarda o primeiro parecer da CVM para análise do novo nome indicado a ocupar a presidência da empresa, o secretário de desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade. “Ele não tem qualificação, nem experiência o suficiente, então precisamos aguardar”, diz Dal Zot afirmando que, caso percebam que exista algo errado, acionaram os órgão competentes. 

Leia também: Empresas triplicam receita com ativos vendidos pela Petrobrás

Dal Zot comenta que a troca na presidência da Petrobrás foi só uma das mudanças que impactaram o valor das ações da empresa. Para ele, o ataque desproporcional que a companhia vem sofrendo pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), junto ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) também influenciam nas oscilações de valores no mercado. 

Professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Instituto de Estudos de Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Eduardo Costa Pinto explica que os dois movimentos atingem diretamente as ações da empresa. “O discurso de Jair Bolsonaro em querer privatizar desacelera a corrida para a compra de ações e esse movimento de troca de presidente e as reclamações da política de preços geram desconfiança nos acionistas minoritários que compram ações”.

Política de preços da companhia 

A mudança na presidência da Petrobrás, junto aos ataques de parlamentares à empresa, surge em meio a mais um anúncio de aumento do preço da gasolina em 5,18% após 99 dias sem reajuste, e do diesel em 14,26%, feito na última sexta-feira (17) e que resultou em uma queda de mais de 7% das ações da companhia. 

Para o economista, a perspectiva do governo mudando a presidência da companhia não é reduzir, mas frear o repasse da política de preços para o consumidor. Entretanto, se não for reeleito, o chefe do Executivo tende, na visão de Costa Pinto, a jogar para o próximo presidente da República os aumentos dos combustíveis. 

SNão acho que deva acontecer [mudança na política de preços], mas acho que o novo presidente vai tentar congelar os preços por um período até as eleições, e acho que se o Bolsonaro perder, ele solta toda essa repressão [dos preços], jogando uma bomba para frente.

Eduardo Costa Pinto, professor da UFRJ e pesquisador do INEEP

Além de José Mauro Coelho, a expectativa é que nas próximas semanas a Petrobrás anuncie mudanças na composição do Conselho  de Administração. 

 

Posts relacionados

Sindipetro Unificado convoca assembleias para aprovar calendário de lutas

Maguila Espinosa

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIAS

Ademilson Costa

ELEIÇÃO SINDICAL RELAÇÃO DE CHAPAS REGISTRADAS

Ademilson Costa

ACT 2025

Responda a pesquisa da campanha reivindicatória 2025