Empresas triplicam receita com ativos vendidos pela Petrobrás

Uma das empresas beneficiadas é a 3R Petroleum, que comprou R$ 3 bilhões de ativos da Petrobrás, e que hoje tem o antigo presidente da estatal como chairman

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A 3R Petroleum triplicou sua receita após comprar ativos da Petrobrás (Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil)

Por Petróleo dos Brasileiros

De acordo com levantamento do Observatório Social da Petrobrás, desde 2015 a estatal já se desfez de R$ 263,4 bilhões em ativos. Nessa conta, estão inclusos campos de petróleo, refinarias, gasodutos e grandes subsidiárias, como a BR Distribuidora. O argumento é o mesmo para grande parte dessas vendas: ativos pouco lucrativos ou deficitários, diminuição da dívida e concentração dos investimentos na exploração e produção do pré-sal.

Se as dívidas tem diminuído ao longo dos anos, não existe necessariamente um nexo causal com as privatizações. O principal motivo dos lucros recordes registrados nos últimos anos é o preço de paridade de importação (PPI), que vincula os preços dos combustíveis nas refinarias à cotação internacional do barril, à variação do dólar e aos custo de importação.

Com isso, desde o ano passado, a Petrobrás já pagou aos seus acionistas R$ 149,9 bilhões em dividendos – quantia que poderia quitar 50% da dívida, que fechou 2021 em R$ 299,5 bilhões.

O outro argumento, o de concentração de investimentos no pré-sal, também é mais complexo do que parece. Se realmente a empresa tem centrado seus esforços na exploração e produção em águas ultraprofundas, o total dispendido pela empresa em novos investimentos tem despencado ao longo dos últimos anos.

Em 2021, a Petrobrás investiu US$ 8,7 bilhões (aproximadamente R$ 44,3 bilhões). Entretanto, de acordo com levantamento da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Federação Única dos Petroleiros (FUP), a média de investimentos entre 2003 e 2015 – antes do PPI e da Lava Jato – era de US$ 26,8 bilhões (aproximadamente R$ 136,7 bilhões).

Além disso, aparentemente, o argumento de que os ativos privatizados eram pouco estratégicos, devido à baixa lucratividade, parece também cair por terra. De acordo com levantamento realizado pela reportagem da UOL, a receita da 3R Petroleum, que comprou cerca de R$ 3 bilhões de ativos da Petrobrás (incluindo o polo petroquímico de Areia Branca, Pescada Arabaiana, Macau e Potiguar, no Rio Grande do Norte), subiu 3,5 vezes em um ano, subindo de R$ 204 milhões para R$ 727 milhões.

Grande parte das aquisições da 3R foi durante a gestão de Roberto Castello Branco à frente da Petrobrás, entre janeiro de 2019 e abril de 2021. Um ano depois, em maio deste ano, o economista assumiu a presidência do Conselho de Administração da 3R, tornando-se chairman da empresa.

Outro exemplo de empresa que se beneficiou com a compra de ativos da Petrobrás é a PetroRio, que viu seu lucro subir de R$ 450 milhões para R$ 1,3 bilhão em apenas um ano.

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