“Respeito é o mínimo, mas não resolve o problema”, diz José Paulo Toguchi ao destacar a importância da justiça histórica para a comunidade LGBTQIAPN+

Na última reunião plena da diretoria do Sindipetro Unificado, realizada em 1º de setembro, na Regional Campinas, a análise de conjuntura abordou de forma crítica as opressões ligadas à sexualidade e à identidade de gênero, promovendo um momento necessário de formação política e sindical.
Uma iniciativa corporativa da Petrobrás, promovida pelo Grupo de Afinidade Orgulho Petrobrás em parceria com a Gerência de Diversidade, Equidade e Inclusão, a Caravana do Orgulho LGBTQIAPN+ tem como objetivo principal promover a sensibilização e o letramento de lideranças e equipes sobre diversidade sexual e identidade de gênero. Realizada desde 2024, a ação é conduzida pelos próprios funcionários, membros do grupo de afinidade, que levam esse debate às unidades durante o mês do Orgulho LGBTQIAPN+.
O diretor do Sindipetro Unificado que conduziu a análise, José Paulo Toguchi, avaliou como imprescindível que o movimento sindical se engaje de forma ativa, consciente e contínua nessa pauta. Segundo ele, educar-se em diversidade não se resume a “ser bonzinho”, acolhedor ou simplesmente respeitar o outro:
“Embora respeito seja, sim, o mínimo, ele está longe de resolver o problema. Aqui, estamos falando de justiça histórica. Estamos falando de entender que o preconceito não brotou do nada: foi construído, alimentado e institucionalizado.
As vivências LGBTQIAPN+ foram por séculos criminalizadas, demonizadas e patologizadas, rotuladas como crime, como pecado e como doença. E isso gerou consequências reais: a marginalização sistemática dessas existências dentro das estruturas de poder, nos ambientes de trabalho, nas políticas públicas, e inclusive nos próprios sindicatos, que muitas vezes se acham progressistas demais para se olhar no espelho.”
As falas dos demais diretores reforçaram a necessidade de ampliar os espaços de formação e debate sobre diversidade dentro do sindicato e da categoria petroleira. Os dirigentes também destacaram a importância de aproveitar o momento político favorável para avançar nas pautas de diversidade equidade e inclusão. Outro ponto enfatizado foi a ocupação crítica dos espaços institucionais abertos pela própria empresa. A avaliação é que essas iniciativas só terão efeito concreto se forem apropriadas pelos trabalhadores e trabalhadoras, evitando que a pauta da diversidade seja esvaziada ou utilizada apenas como ferramenta de marketing corporativo.
Assim, o Sindipetro Unificado reafirma seu compromisso em ampliar a conscientização e a defesa dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+, integrando essa luta à batalha mais ampla por justiça social, igualdade e respeito no mundo do trabalho e na sociedade como um todo.
