Sindipetro Unificado participa do ato de um ano da reinauguração do Edisp

Petroleiros destacaram a importância da luta dos trabalhadores em defesa da Petrobrás como chave para a retomada do prédio administrativo da empresa em São Paulo

Luta dos trabalhadores foi fundamental para reinauguração do Edisp, há exatamente um ano (Foto: Vítor Peruch/ Sindipetro Unificado)

O processo de reconstrução de uma empresa que foi propositalmente desmontada com o objetivo de deixar ela nas mãos do capital especulativo tem momentos de muita dificuldade e esforço, é demorado, mas também tem momentos de alegria, como o que aconteceu nesta terça-feira (31) no Espaço Petrobrás de cinema, na famosa Rua Augusta, da cidade de São Paulo. Petroleiros e petroleiras do Sindipetro Unificado participaram do ato de celebração de um ano da reinauguração do Edisp, prédio administrativo da Petrobrás na capital paulista fechado em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro, com o suposto objetivo de “redução de custos”.

A categoria lutou contra o fechamento do prédio. Sabia muito bem que essa dita redução de custos não passava de uma desculpa para mascarar a pesada ofensiva contra a Petrobrás, que estava sendo destruída por dentro desde o golpe de 2016, com um processo de venda de ativos estratégicos e de desmonte em todas as áreas do sistema, que incluía perseguição sindical e piora nas condições de trabalho.

O diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Augusto, explica o que representa o ato desta terça-feira em relação a esse processo de desmonte: “É um evento simbólico, um marco do ponto de vista político, que marca a retomada do projeto da Petrobrás como um instrumento de desenvolvimento nacional. O fechamento do prédio administrativo em São Paulo foi parte do projeto de desmonte da empresa, e fez com que muitos trabalhadores se espalhassem por diversas unidades na grande São Paulo, no Rio de Janeiro ou fossem trabalhar em coworkings, onde é muito difícil manter uma relação institucional e um vínculo com outros trabalhadores, o que dificulta que os trabalhadores se sintam pertencentes à empresa”. Esse aspecto, acrescenta ao simbolismo um caráter humano, na visão do dirigente: “O ato de hoje também tem essa dimensão de ser um marco para a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, que hoje estão podendo voltar a trabalhar no Edisp, a ter um espaço que congrega diversos setores da empresa”.

Unidade para garantir a reconstrução

Cibele Vieira e Rodrigo Araújo, diretores do Unificado, discursam na celebração (Foto: Vítor Peruch)

Rodrigo Araújo, diretor de comunicação do Sindipetro Unificado, afirmou: “É muito bom poder estar aqui comemorando junto com os trabalhadores e trabalhadoras, que foram tão duramente atingidos por todo esse processo de desmonte. É importante essa participação, esse diálogo, pois são eles que constroem a Petrobrás todos os dias. O trabalho sindical dos trabalhadores e suas mobilizações são centrais para a reconstrução da Petrobrás, para que ela volte a servir a sociedade brasileira, essa é a nossa luta histórica. Precisamos seguir juntos e estar preparados para os momentos difíceis que poderão vir”.

A diretora do Unificado e da FUP, Cibele Vieira, também destacou o simbolismo deste dia e deste edifício: “Às vezes a gente banaliza alguns simbolismos, e é preciso destacar o peso e a importância desse momento e desse prédio. Se fosse em outra conjuntura, em outra gestão, a gente nem estaria aqui, e se tivesse conseguido estar aqui não estaria comemorando, porque estávamos num contexto de desmonte. É muito representativo deste momento de reconstrução”.

A diretora afirmou que esse processo não está garantido, e sinalizou a importância da unidade para o próximo período, que inclui grandes desafios, como a eleição presidencial: “Infelizmente demora para reconstruir tudo o que foi desmontado, mas estamos conseguindo avançar. O problema é que esse processo de reconstrução de uma Petrobrás forte não está garantido. Novamente, essa categoria está no olho do furacão e em luta. A gente pede a cada um de vocês que não se omitam no debate que já está presente esse ano, a gente sabe muito bem que o que a gente passou vai voltar de uma forma muito mais agressiva, não só para as estatais mas para o Brasil, caso a ultradireita ganhe a eleição. Precisamos estar organizados coletivamente e nos fortalecer para evitar isso”.

Arte e cultura marcam celebração e reforçam vínculo da Petrobrás com a sociedade

Arte e cultura são um pilar na reconstrução da Petrobrás (Foto: Vítor Peruch)

O evento também foi permeado por expressões artísticas que reforçaram o caráter simbólico e cultural da celebração. O cartunista Luciano Veronese, conhecido por seu trabalho no programa Roda Viva e no jornal Folha de S.Paulo, participou do evento e produziu intervenções ao vivo, dialogando com o momento político e com a trajetória da Petrobrás.

A programação contou ainda com apresentações musicais dos artistas Stephanie Aiola, Vitor Guedes, Pedro Mendes e Edinho Silva, que levaram ao público um repertório de chorinho e samba no espaço de convivência do evento. Encerrando a celebração, uma jovem violonista, bolsista da Fundação Cultura Artística em iniciativa viabilizada com apoio da Petrobrás, apresentou os prelúdios 1, 2, 5 e 6 de Heitor Villa-Lobos, reafirmando a conexão entre a empresa e a valorização da música brasileira.

O evento foi realizado no Espaço Petrobrás de Cinema, fortalecendo uma relação histórica entre a Petrobrás e a cultura. Diretor de programação do espaço, Adhemar de Oliveira destacou o papel estratégico desse vínculo ao longo das últimas décadas: “Este é um evento que também cumpre a função de contrapartida do patrocínio da Petrobrás ao espaço. A Petrobrás é uma empresa de energia e, durante 30 anos, apoiou a área da cultura, que também é energia, que movimenta ideias, projeta o país e coloca à disposição do mundo os modos de vida do povo brasileiro. Defender a cultura também é defender o Brasil”.

 

Posts relacionados

Com a missão de representar a categoria no parlamento, Bacelar deixa a coordenação da FUP e Cibele Vieira assume interinamente

Vitor Peruch

Sindipetro Unificado participa de debate público sobre preços dos combustíveis em Campinas

Maguila Espinosa

Sindipetro Unificado promove sindicalização no Edisp

Maguila Espinosa

ACT 2025

Responda a pesquisa da campanha reivindicatória 2025