Sindipetro Unificado aponta descumprimento de normas, jornadas ampliadas e impacto na segurança; proposta prevê revisão do modelo com participação dos trabalhadores

Por Vítor Peruch
O tempo gasto para chegar ao trabalho — e voltar dele — tornou-se parte central da jornada de trabalhadores da Refinaria de Capuava (Recap). Relatos de deslocamentos que ultrapassam duas horas por trecho e o descumprimento de normas internas motivaram o Sindipetro Unificado a formalizar, por meio de ofício, um pedido de criação de um grupo de trabalho para revisar o sistema de transporte da unidade tanto no horário administrativo quanto no turno.
O documento, encaminhado à gestão da refinaria da Petrobrás solicita a criação de um colegiado com participação da empresa e de representantes dos trabalhadores para reavaliar critérios logísticos e garantir o cumprimento de direitos previstos no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e nas normas internas. A iniciativa ocorre em meio ao aumento do efetivo e mudanças na jornada de trabalho de turno.
Segundo o diretor do Unificado, Pedro Augusto, o transporte se tornou um dos pontos mais sensíveis entre as demandas da categoria. “Temos recebido muitas reclamações, principalmente sobre o tempo excessivo no transporte, que atinge tanto trabalhadores do turno quanto do administrativo”, afirmou.
No caso dos trabalhadores do horário administrativo, o sindicato aponta que há descumprimento de parâmetros básicos, como a distância máxima de 1,5 km entre a residência e o ponto de embarque. “Há pessoas sendo obrigadas a utilizar transporte público para chegar até o fretado, percorrendo trajetos maiores do que o estabelecido pela própria empresa”, disse Pedro. Em alguns casos, o deslocamento total pode ultrapassar quatro horas diárias.
Os relatos incluem situações de vulnerabilidade, especialmente entre mulheres. “Temos relatos de trabalhadoras saindo de casa ainda de madrugada, caminhando várias quadras para acessar o transporte, quando ajustes simples de rota poderiam resolver o problema”, acrescentou.
Entre os trabalhadores de turno, que cumprem jornadas de 12 horas, o cenário é considerado ainda mais crítico. O ofício destaca casos em que novos empregados foram orientados a utilizar transporte público ou a se deslocar até pontos de embarque, contrariando a garantia de transporte porta a porta prevista em normas internas e legislação.
“Você soma uma jornada longa com mais quatro horas, às vezes quatro horas e meia dentro do transporte. Isso inviabiliza o descanso e impacta diretamente a segurança, tanto do trabalhador quanto do processo”, afirmou o diretor. Segundo ele, há ainda trabalhadores que passaram a custear o próprio deslocamento para reduzir o tempo de viagem.
O sindicato argumenta que o modelo atual compromete não apenas a qualidade de vida, mas também a saúde e as condições operacionais da refinaria. No ofício, a entidade defende que a revisão do sistema deve considerar critérios que assegurem conforto, segurança e tempo adequado de descanso.
A proposta de criação do grupo de trabalho tem como objetivo consolidar essas demandas em um espaço institucional de negociação. “É fundamental que essa discussão ocorra com a participação dos trabalhadores, para que possamos construir soluções que melhorem as condições de transporte e também a dinâmica da própria refinaria”, disse Pedro Augusto.
Confira abaixo o ofício enviado pelo Sindipetro Unificado à gestão da Refinaria de Capuava:
OF-MA-107-26-17 OFICIO GT:
