Petrobrás pretende lançar programa de contratação de aposentados para treinar novos operadores sem diálogo com as entidades sindicais e sem transparência; sindicato cobra explicações

[Da Comunicação do Sindipetro Unificado]
Fiel à tônica da atual gestão da Petrobrás, a empresa trabalha em um programa de capacitação chamado RefinaMENTOR, que segundo informações obtidas pelo sindicato, tem como objetivo “desenvolver e aprimorar as habilidades dos técnicos de operação do refino e proporcionar um acompanhamento personalizado por meio de mentores especializados”. Segundo documentos aos que o sindicato teve acesso, esses mentores que a empresa irá contratar são aposentados, que pasarão a realizar uma tarefa que era reservada aos atuais operadores da empresa, que treinavam os mais novos. O Sindipetro Unificado denuncia que o programa não foi dialogado com as entidades que representam os trabalhadores e não apresenta critérios claros nem transparentes.
“A empresa não construiu esse processo, não dialogou com ninguém. O programa não é transparente nem para os próprios aposentados, não é divulgado, não é aberto para as pessoas. Imaginamos que quem vai escolher os mentores é a gerência, mas com qual critério?”, afirma a coordenadora geral do Sindipetro Unificado e diretora da FUP, Cibele Vieira.
Segundo as informações disponíveis, os potenciais mentores devem ter como mínimo 15 anos de experiência no cargo de Técnico de Operação em refinarias da Petrobrás, e no momento de credenciamento, devem ter o tempo mínimo de desligamento da Petrobrás de 18 meses.
O Sindipetro Unificado tem a capacitação como pauta importante faz tempo, e entende que é necessário melhorar muito nesse sentido, mas não há como avançar sem os trabalhadores. O diretor do Unificado, Steve Austin, afirma: “Nós temos propostas, temos conhecimento sobre o assunto, somos os trabalhadores e trabalhadoras que estamos no chão de fábrica e não fomos consultados em nenhum momento, infelizmente esse tem sido o tom dessa gestão e continuaremos lutando para mudar essa realidade”.
O sindicato ainda aponta algumas questões problemáticas, como por exemplo, que os aposentados estariam voltando às refinarias, que são áreas de exposição e risco, enquanto recebem uma aposentadoria especial. Outra questão central levantada pela entidade é a falta de efetivo, que está íntimamente relacionada a esse tipo de iniciativas da empresa, que na realidade deveria atacar o assunto fundamental que é a reposição do efetivo. Por outra parte, a atualização na indústria do petróleo é muito rápida, pelo qual é preciso avaliar se os trabalhadores aposentados são a melhor opção para esse tipo de capacitação.
Austin alerta: “A Petrobrás tem que rever essa política, se a gestão insistir em impor essa medida sem diálogo com as entidades, o Sindipetro Unificado acionará os meios jurídicos disponíveis para reverter”.
