Petroleiros e petroleiras se somam a milhares de trabalhadores de outras categorias e movimentos sociais pelo fim da escala 6×1 e defendem reestatização dos ativos estratégicos do Sistema Petrobrás que foram privatizados por Bolsonaro

[Da comunicação da CUT, com edição da FUP | Fotos: Marcelo Aguilar/Sindipetro Unificado]
Um dia após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhar ao Congresso Nacional o projeto que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a classe trabalhadora ocupou as ruas de Brasília nesta quarta-feira (15) em uma marcha que combinou mobilização e um sentimento de conquista nas reivindicações históricas da classe trabalhadora.
Carregando uma faixa gigante que reivindicava a reestatização da BR Distribuidora e das refinarias privatizadas no governo Bolsonaro, delegações de petroleiros e petroleiras do Sindipetro Unificado e de vários sindicatos da FUP marcaram presença na mobilização convocada pelas centrais sindicais. Com seus jalecos laranja, dirigentes sindicais e militantes marcharam pela Esplanada dos Ministérios, entoando palavras de ordem contra a escala 6×1 e em defesa da soberania energética e do fortalecimento da integração do Sistema Petrobrás.
A categoria, que está em Brasília desde segunda-feira, 13, articulando apoio à pauta da reestatização, também compareceu em peso à audiência pública realizada ontem, na Câmara dos Deputados Federais, que debateu medidas estruturantes para ampliar o parque nacional de refino e retomar a participação do Estado brasileiro na distribuição de combustíveis. Essas medidas foram destacadas como fundamentais para proteger o país e a população brasileira dos impactos de crises internacionais sobre os preços dos combustíveis e o abastecimento de petróleo.
À tarde, as delegações de petroleiros e petroleiras participaram do lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Reestatização da BR Distribuidora, Liquigás e Refinarias da Petrobrás privatizadas no governo Bolsonaro. O evento reuniu deputados, senadores e lideranças sindicais e sociais no Salão Verde da Câmara dos Deputados.
Confira o recado do diretor do Sindipetro Unificado e da FUP, Pedro Augusto:
Marcha diversa
A marcha teve início por volta das 11h e seguiu pela Esplanada dos Ministérios em direção ao Congresso Nacional. As imagens mostraram uma mobilização ampla, com forte presença de trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e regiões do país.
Ao longo do trajeto, a diversidade da classe trabalhadora se expressava nos blocos organizados. Trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, servidores e servidoras das três esferas (municipal, estadual e federal), bancários, metalúrgicos, professores, químicos, petroleiros, uma presença marcante de entregadores por aplicativos além de diversas outras categorias e movimentos sociais, incluindo a juventude organizada e coletivos também ocupavam as ruas, com faixas, bandeiras e batucadas que deram ritmo ao ato.
Pauta aprovada na Conclat, mobilização contínua
A pauta da classe trabalhadora foi aprovada na Conclat, realizada pouco antes da marcha, reunindo 68 reivindicações que combinam demandas históricas e novos desafios do mundo do trabalho.
Entre os eixos principais estão:
- Fim da escala 6×1
- Redução da jornada sem redução salarial
- Regulamentação do trabalho por aplicativos
- Combate à pejotização
- Fortalecimento das negociações coletivas
- Direito de negociação para servidores públicos
- Combate à violência contra as mulheres
As centrais também destacam que, dos 63 itens aprovados na Conclat de 2022, cerca de 70% foram implementados, encaminhados ou estão em tramitação no Congresso, incluindo políticas de valorização do salário mínimo, igualdade salarial, ampliação do Bolsa Família e correções no Imposto de Renda.
Rumo ao 1º de Maio
A Marcha da Classe Trabalhadora integra um calendário mais amplo de mobilizações que segue até o 1º de Maio, com atividades em todo o país.
Ao ocupar Brasília, a classe trabalhadora reafirmou que o envio do projeto representa um avanço, mas que a conquista depende da continuidade da pressão social. Como sintetiza Sérgio Nobre, a história mostra que direitos não são concedidos — são conquistados com organização e mobilização.








