Mobilização na PBio, convocada pela FUP, ocorre no dia 3 de outubro, aniversário da Petrobrás, contra a privatização da subsidiária; Unificado iniciou esquentas nas bases nesta terça-feira (30)

Nos últimos dias, a categoria petroleira foi surpreendida com uma notícia que vai na contramão da proposta de Petrobrás que o povo brasileiro elegeu nas urnas. Em plena campanha reivindicatória, a gestão da PBio informou na quarta-feira, 24, que os postos de trabalho serão terceirizados a partir da implementação do modelo de parceria privada que foi aprovado pela Diretoria Executiva da Petrobrás. O comunicado foi feito por um diretor da subsidiária diretamente aos trabalhadores, sem envolver os sindicatos.
Reunidos em Conselho Deliberativo nesse mesmo dia, os sindicatos da Federação Única dos Petroleiros, receberam com indignação a notícia, e decidiram pela realização de atos nacionais e regionais no dia 03 de outubro, quando a Petrobrás completa 72 anos. Os atos principais serão realizados nas usinas da PBio, em Montes Claros/MG e em Candeias/BA, que estão sob ameaça de privatização. O Sindipetro Unificado enviará representantes ambas mobilizações.
Além disso, ocorrem mobilizações prévias nas bases do Sindicato. Neste dia 30 de setembro ocorreu uma mobilização no Terminal da Transpetro de São Caetano do Sul, a partir das 7 da manhã. No mesmo horário e no dia 1 de outubro, ocorre na Refinaria de Capuava (Recap) e na Refinaria de Paulínia (Replan), ocorre no dia 2 de outubro, também às 7h.
Segurança em pauta
Na manhã desta terça-feira (30), trabalhadores e trabalhadores realizaram uma mobilização no Terminal de São Caetano do Sul, da Transpetro, como parte dos esquentas para o grande ato do dia 3. No ato, a categoria denunciou o descaso da gerência de patrimônio da Transpetro com a segurança e a grave situação do efetivo, nas unidades da subsidiária.
Steve Austin, diretor do Unificado, afirmou que “é momento de denunciar as formas em que a Petrobrás está ampliando esse processo de sucateamento dos trabalhadores, esse é um start, é o esquenta, a luta está só começando, e dia 3 vamos realizar um grande ato nas unidades da PBio.
“Temos a preocupação com os contratos que estão vindo aqui na Transpetro. A empresa, como sistema Petrobrás, tem repassado centenas de bilhões de dólares para os acionistas, e quando chega no Acordo Coletivo, eles tem a pachorra de dizer que precisam entrar em uma política de austeridade, que não pode gastar. Mas a gente sabe que quando a empresa diz não pode gastar, isso só vale para os trabalhadores, não para os acionistas, que estão colocando o dinheiro para fora do Brasil, inclusive”, afirmou o diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Araújo.
Incerteza
Segundo as informações passadas à categoria, foi aprovado, de forma ainda não vinculante, um projeto de entregar as usinas para uma nova empresa, a ser criada com participação majoritária do setor privado. Ou seja, a PBio deixaria de operar as unidades, que seriam, na prática, privatizadas. Em relação aos trabalhadores, há uma incerteza sobre o que ocorreria. As informações preliminares passadas à categoria são de que poderiam ser cedidos à Petrobrás, sem incorporação, sem prazo definido ou qualquer previsibilidade em relação ao futuro.
A coordenadora geral do Sindipetro Unificado e diretora da FUP, Cibele Vieira, afirma que “o andamento desses projetos gera grandes incertezas sobre os trabalhadores e suas famílias. Cessão não dá a segurança de uma incorporação e não há nada que impeça as usinas e os trabalhadores de serem incorporados à Petrobrás Holding. Existe viabilidade econômica e jurídica para isso e, dada a importância do setor para a transição energética justa, a incorporação é o caminho que a empresa deveria estar seguindo”.
No entendimento da FUP e seus sindicatos, que está em curso na PBio é o aprofundamento de um modelo de negócio de parcerias e de terceirização de atividades fins, que a atual gestão da Petrobrás está implementando nos contratos de O&M das FAFENs Bahia e Sergipe, e que ameaça também o Polo Bahia e a Termobahia. Além de precarizar as relações de trabalho, esse modelo de negócio pavimenta o caminho para privatizações futuras, na contramão da soberania nacional e do que os trabalhadores e as trabalhadoras defendem para uma transição energética justa.
Diante de tudo isso, convocam os trabalhadores e as trabalhadoras do Sistema Petrobrás para os atos de 03 outubro que serão realizados em todas as bases, em defesa da Pauta pelo Brasil Soberano e contra as privatizações. Segundo divulgado pela FUP em nota, “É a hora da categoria mostrar para a gestão da empresa que a luta por um ACT digno para todo o Sistema Petrobrás, sem ajustes fiscais e sem ameaças de privatizações, só está começando”.





