Saiba tudo que rolou nas primeiras reuniões do ACT 2025

O Sindipetro Unificado preparou um resumo das primeiras rodadas de negociação do ACT 2025. Confira os principais pontos debatidos até agora

Mesa de negociação do ACT 2025 – 17/09 | FUP reforçou a necessidade de reposição das perdas desde 2016 e valorização dos trabalhadores (Foto: Marcelo Aguilar/Sindipetro Unificado)

Por Vítor Peruch, com informações da Comunicação da FUP

As reuniões do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025 do Sistema Petrobrás vêm sendo realizadas desde o início de setembro, sempre com foco em blocos específicos de reivindicações construídas e aprovadas pela categoria na 12ª Plenafup. Nos últimos dez dias, ocorreram as seguintes reuniões:

  • 09/09 – Condições de trabalho e segurança no emprego
  • 10/09 – Relações sindicais, anistia e fortalecimento da negociação
  • 11/09 – Efetivos e Acordo Nacional de Parada de Manutenção
  • 16/09 – Prestadores de serviço e combate à precarização
  • 17/09 – Cláusulas econômicas e benefícios
  • 18/09 – Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS)

Ainda estão previstas mais duas reuniões temáticas, que irão tratar de outros pontos estratégicos da pauta, antes da etapa conclusiva da negociação. Confira abaixo o resumo das reuniões e acesse as matérias completas no site da FUP.

Condições de trabalho e segurança no emprego (09/09)

Na abertura das negociações, a FUP destacou a urgência de cláusulas que assegurem estabilidade e melhores condições de trabalho. Foram apresentados pontos como:

  • Redução da jornada sem redução salarial, com a criação de um sexto grupo nos turnos de revezamento;
  • Proteção contra transferências compulsórias e assédios de gestão;
  • Revisão dos planos de equacionamento da Petros (PEDs), que seguem penalizando aposentados e ativos.

A Federação também cobrou a antecipação da reposição inflacionária, prática histórica da Petrobrás até 2016, e a valorização da negociação coletiva como instrumento essencial de preservação de direitos.

 

Leia a matéria completa no site da FUP

Relações sindicais, anistia e fortalecimento da negociação (10/09)

O segundo encontro teve como foco relações sindicais e reparações históricas. A FUP cobrou:

  • Anistia a trabalhadores perseguidos e punições revogadas a dirigentes durante os governos Temer e Bolsonaro;
  • Retomada da Comissão de Anistia, interrompida nos últimos anos;
  • Avanço no debate sobre um Acordo Marco Global, que assegure condições dignas e seguras para todos os prestadores de serviço do Sistema Petrobrás.

O fortalecimento da negociação coletiva foi reafirmado como ponto central, garantindo diálogo contínuo e respeito às entidades representativas.
Leia a matéria completa no site da FUP

Efetivos e Acordo Nacional de Parada de Manutenção (11/09)

A terceira rodada tratou de dois temas interligados: gestão de efetivos e a construção de um Acordo Nacional de Parada de Manutenção.

A FUP denunciou os impactos da drástica redução de quadros nos governos Temer e Bolsonaro, que resultou em sobrecargas de jornada, aumento de acidentes e terceirização precária. Foram cobrados:

  • Mais concursos públicos e convocação imediata de cadastros de reserva;
  • Participação sindical no planejamento de efetivos e proibição de PIDVs sem negociação prévia;
  • Incorporação de trabalhadores da PBio, TBG, Termobahia, Ansa e Cabiúnas;
  • Primeirização de atividades estratégicas hoje terceirizadas;
  • Criação de um programa permanente de mobilidade interna para corrigir distorções.

Sobre a Parada de Manutenção, foi apresentada uma proposta abrangente, com foco em SMS, remuneração justa e valorização das equipes. A FUP defendeu ainda a continuidade da comissão de negociação e a criação de folga bônus a cada 30 dias trabalhados em parada, a ser gozada conforme escolha do trabalhador.


Leia a matéria completa no site da FUP

Prestadores de serviço e combate à precarização (16/09)

A terça-feira (16) foi dedicada aos trabalhadores terceirizados, principais vítimas da insegurança e da precarização no Sistema Petrobrás. As reivindicações centrais foram:

  • Retomada de conquistas dos ACTs 2013–2019, como a comissão de negociação permanente, o fundo garantidor e a fiscalização de contratos feita apenas por empregados próprios;
  • Acordo Marco Global, para assegurar condições dignas, respeito à diversidade e transição energética justa também aos prestadores;
  • Redução da jornada sem redução salarial para os contratados;
  • Isonomia de direitos e salários, combatendo distorções e desigualdades gritantes entre próprios e terceirizados;
  • Combate a assédios e violências no ambiente de trabalho, com protocolos de acolhimento também para prestadoras de serviço, especialmente mulheres;
  • Divulgação do relatório do GT de SMS na prestação de serviço, criado após a morte de seis contratados em acidentes em 2024.

A FUP criticou a ausência da área de SMS na reunião e reafirmou que 85% das mortes por acidentes no Sistema Petrobrás envolvem contratados, reforçando a urgência de medidas estruturais para proteger esses trabalhadores.

 

Leia a matéria completa no site da FUP

Cláusulas econômicas e benefícios (17/09)

Na quarta-feira (17), a FUP abordou as cláusulas econômicas e os benefícios, cobrando a ampliação e melhoria de uma série de direitos que impactam diretamente o dia a dia dos trabalhadores, como adicionais, auxílios educacionais, assistência alimentar, horas extras e férias.

A Federação reiterou a necessidade de reposição das perdas acumuladas desde 2016, que somam 10,34%, além da conquista de ganho real nos salários. Também foi reforçada a exigência de solução definitiva para os equacionamentos da Petros.

Entre as propostas apresentadas estão a criação de um Fundo de Transição Justa e Mitigação Socioambiental, a ampliação dos benefícios, a redução da jornada e o fortalecimento da identidade coletiva dos trabalhadores.

Leia a matéria completa no site da FUP.

AMS: saúde e cuidado com as pessoas (18/09)

Já na quinta-feira (18), a negociação tratou da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS). As representações sindicais defenderam que o plano esteja alinhado ao valor que a própria Petrobrás declara em seu planejamento estratégico: o cuidado com as pessoas.

Entre as reivindicações apresentadas estão:

  • Custeio integral dos procedimentos de pequeno risco pelo mesmo modelo do benefício farmácia;
  • Cancelamento de despesas acumuladas no saldo devedor anteriores a cinco anos;
  • Parcelamento dos valores devidos em condições viáveis;
  • Custeio integral de terapias, inclusive saúde mental e terapias alternativas;
  • Criação de auxílios cuidadores para PCDs e idosos;
  • Fortalecimento da cobertura odontológica e dos programas voltados a pessoas com TEA e pacientes oncológicos.

Leia a matéria completa no site da FUP

Petros: solução definitiva para os PEDs é prioridade máxima (18/09)

Na sétima rodada de negociações do ACT 2025, a FUP deixou claro: não haverá fechamento do acordo sem a resolução definitiva dos equacionamentos da Petros (PEDs). Em encontro com gestores da Petrobrás, realizado no final da tarde de quinta-feira (18/09), os dirigentes reforçaram que a previdência complementar é hoje o ponto mais sensível e urgente da pauta petroleira, com impacto direto sobre aposentados, pensionistas e ativos.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, foi categórico: “Esse tema é central para a nossa categoria e precisa de uma solução final este ano. Nós não teremos condições de fechar o nosso Acordo Coletivo sem resolver de uma vez por todas os PEDs”. A cobrança foi acompanhada de uma exigência objetiva: que a Petrobrás apresente, imediatamente, uma proposta financeira robusta, capaz de viabilizar judicialmente o novo modelo de plano de previdência construído na Comissão Quadripartite – espaço que reúne representantes da empresa, da Petros, dos órgãos de controle (Sest e Previc) e das entidades do Fórum em Defesa dos Participantes da Petros.

A Federação lembrou que a categoria já deu sua contribuição histórica ao longo dos últimos anos, arcando com sacrifícios que têm levado milhares de famílias ao endividamento. Agora é a vez da empresa apresentar contrapartida à altura, garantindo a eliminação ou redução significativa dos déficits dos PPSPs e permitindo a adesão em massa ao novo plano. Como destacou o diretor da FUP e integrante do Fórum, Paulo César Martin, quanto maior o aporte da Petrobrás, maior será a confiança e a adesão da categoria à migração.

Além da questão central dos PEDs, a FUP pautou outros pontos referentes à Petros, como:

  • Concessão de empréstimos – com redução de custos, suspensão temporária (opcional) dos pagamentos por até 12 meses e renegociação de dívidas, evitando processos de cobrança e inadimplência;

  • Convênio INSS/Petros – retomada imediata nos mesmos moldes anteriores;

  • Inclusão dos trabalhadores da Fafen-PR (ANSA) no PP2, garantindo pagamento do serviço passado desde a readmissão em julho de 2024;

  • RMNR – cobrança do pagamento retroativo das contribuições sobre o complemento da Remuneração Mínima por Nível e Regime, com recálculo do BPO no PPSP-R;

  • Democracia na gestão da Petros – eleição imediata de duas diretorias, conforme previsto no Acordo de Obrigações Recíprocas (AOR), com alteração estatutária para assegurar o processo eleitoral.

Ao final da reunião, a FUP reiterou que o calendário do ACT só avançará se a Petrobrás apresentar resposta concreta. Não basta reconhecer o problema: é preciso resolver os PEDs ainda em 2025. Para os dirigentes sindicais, a batalha pela Petros é uma linha vermelha da categoria, pois envolve não apenas o presente, mas a dignidade e o futuro de milhares de famílias petroleiras em todo o Brasil.

Leia a matéria completa no site da FUP.

Próximas reuniões do ACT 2025

  • 23/09 (terça) – 14h às 16h – SMS
  • 24/09  (quarta) – CD da FUP
  • 01/10 (quarta) – 14h às 16h – Pauta pelo Brasil e Transição Energética Justa

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