Sindipetro Unificado reafirma necessidade de luta pelo Plano de Cargos

Após primeira reunião com a Petrobrás sobre Plano de Cargos, sindicato considera insuficiente proposta da empresa e reafirma necessidade de luta para garantir avanços

Petrobrás apresentou primeira proposta em reunião com a FUP

[Com informações da FUP]

O Plano de Cargos e Salários é uma das pautas centrais do Sindipetro Unificado e dos sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), mas até o momento a gestão do Sistema Petrobrás não mostra vontade política real para avançar no assunto. A empresa apresentou a primeira proposta numa reunião com a federação no último dia 30 de julho, tal como tinha sido acordado no encerramento da greve de dezembro de 2025, mas não contempla algumas das principais reivindicações dos petroleiros. Os pontos tratados incluem a estruturação das carreiras e a mobilidade interna, mas não houve qualquer menção à progressão salarial.

Outro ponto que preocupa os trabalhadores é que apesar das gerências das subsidiárias estarem presentes na reunião, somente a Transpetro anunciou que acompanha a proposta da holding, sendo que a pauta central da categoria é um só plano de cargos e salários para todo o Sistema Petrobrás, com regras transparentes e democráticas, que valorize os trabalhadores e as trabalhadoras, promovendo equidade e diversidade.

Outro ponto central é a reparação das distorções causadas pela imposição do PCR, que não foi tratada pela Petrobrás. Para a FUP e seus sindicatos, é fundamental que a empresa leve em conta as pautas que foram apresentadas no Grupo de Trabalho para unificação dos planos, tendo como referência o PCAC, que foi o único plano de cargos e carreiras negociado com as representações sindicais ao longo de toda a história do Sistema Petrobrás.

Os próprios representantes da empresa admitiram, na apresentação da proposta, que o PCR foi implantado “em um contexto de desinvestimentos” e, portanto, desenhado para facilitar o desmonte da empresa, o que não condiz com a realidade atual de reconstrução da estatal.

Na avaliação das direções sindicais, a primeira proposta da Petrobrás é o pontapé inicial para aprofundar os pontos que a empresa apresentou para estruturação das carreiras e avançar nas demais pautas. Ainda faltam propostas para progressão nas carreiras, reparações para os trabalhadores que permaneceram no PCAC, além da garantia de extensão para as subsidiárias. Os sindicatos reforçam que todos os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema precisam ser contemplados no processo de negociação do novo plano de cargos e salários.

Sim para os acionistas, não para os trabalhadores

A Petrobrás apresentou no segundo trimestre de 2026 um dos melhores resultados da sua série histórica, ao registrar lucro líquido de R$ 52,4 bilhões. Os números revelam um crescimento de 61% em relação ao primeiro trimestre do ano e uma alta de 97% sobre o lucro alcançado no mesmo período de 2025. Ou seja, apesar das fortes críticas do mercado, a estatal brasileira segurou os preços dos combustíveis no mercado interno, aumentou a produção e as exportações, o que resultou em lucro recorde.

A empresa, assim como todas as petrolíferas do mundo, teve ganhos extraordinários, em meio à guerra e à volatilidade dos preços do barril de petróleo, mas quem mais se apropria das riquezas geradas pela estatal brasileira seguem sendo os investidores estrangeiros, que representam 48% do capital acionário. Eles serão beneficiados com R$ 8,4 bilhões do total de R$ 17,4 bilhões de dividendos a serem distribuídos, enquanto a União (acionista controlador) ficará com R$ 6,3 bilhões.

Já os petroleiros e petroleiras, que produzem essas riquezas, continuam sendo penalizados com políticas de contenção de gastos que impactam as condições de trabalho e segurança, como os contratos de O&M nas unidades operacionais, desimplantes no offshore e a precarização dos contratos de prestação de serviço. É inadmissível que, ao mesmo tempo em que os acionistas privados são contemplados com dividendos altíssimos, os trabalhadores sigam lutando por um plano de cargos e salários digno para todo o Sistema Petrobrás, enquanto a gestão se nega a apresentar uma proposta decente para a categoria.

Soma-se a isso, a enrolação da direção da empresa em resolver os equacionamentos da Petros que tanto impactam os aposentados e pensionistas. O que dizer ainda dos prestadores de serviço, que são constantemente vítimas de calotes e precarização por conta da atual política de contratação da estatal, que ainda se baseia no menor preço, sem proteger, como deveria, os trabalhadores.
Quem constrói os resultados da Petrobrás precisa ser valorizado, mas também incidir sobre para o quê e a quem serve o fruto do trabalho gerado, como reivindicam a FUP e seus sindicatos na Pauta Brasil Soberano.

Só vira com luta

Na avaliação dos sindicatos e da FUP, a proposta da Petrobrás é uma espécie de “teste” da capacidade de mobilização e luta da categoria. Sem mobilização de base, mesmo com a capacidade de interlocução e negociação da federação e os sindicatos, será difícil virar o jogo. Nesse sentido, a avaliação é de que a manutenção do projeto de reconstrução da Petrobrás nas urnas é fundamental para avançar na conquista de direitos.

Segundo o coordenador geral do Sindipetro Unificado, Steve Austin, a luta pelo plano de cargos está ligada à conjuntura eleitoral: “Sabemos que é um momento chave e que a reeleição de Lula é a única garantia de uma Petrobras pública e forte, assim como a necessidade de eleger parlamentares de esquerda, comprometidos com a pauta da classe trabalhadora, que permitam sustentar as pautas trabalhistas no Congresso”.

Nesse sentido, afirma: “Sabemos muito bem que a hoje a única possibilidade de avançar num Plano de Cargos justo para todos os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás depende da conjuntura eleitoral e que a ultradireita não quer saber nada com o trabalhador, por isso temos o enorme desafio de garantir a vitória de um governo popular”.

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