Relatos recebidos pelo sindicato apontam clima de ameaças, punições desproporcionais e favorecimentos na caldeiraria da C3; sindicato pede investigação da Petrobrás e adoção de medidas caso irregularidades sejam confirmadas

O Sindipetro Unificado cobra que a Petrobrás apure uma série de denúncias envolvendo a coordenação da caldeiraria da C3, principal empresa que atua na prestação de serviços na Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá. Segundo relatos encaminhados ao sindicato por trabalhadores, o ambiente de trabalho no setor de caldeiraria seria marcado por práticas de assédio moral, perseguição, ameaças constantes e aplicação de punições consideradas desproporcionais.
De acordo com as denúncias, a situação teria se agravado nos últimos meses, gerando um clima de medo e insegurança entre os trabalhadores da caldeiraria da C3.
DDS usado como instrumento de ameaça
Entre os relatos recebidos pelo sindicato está a denúncia de que os Diálogos Diários de Segurança (DDS), ferramenta destinada à prevenção de acidentes e ao fortalecimento da cultura de segurança, estariam sendo utilizados como mecanismo de intimidação.
Segundo trabalhadores, durante essas reuniões seriam feitas ameaças frequentes de demissão em caso de qualquer falha operacional. Um dos relatos afirma que lideranças da empresa chegaram a utilizar frases como: “Se alguma mãe tiver que chorar, vai chorar a sua e não a minha.”
Para o sindicato, caso os relatos sejam confirmados, esse tipo de postura é incompatível com qualquer ambiente de trabalho saudável e contraria os princípios que orientam a política de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) da Petrobrás.
Contramão da política de SMS da Petrobrás
O Sindipetro destaca que a política de SMS da Petrobrás vem sendo construída justamente para superar a cultura da punição e da culpabilização individual, priorizando o aprendizado organizacional a partir da identificação das causas dos incidentes e da adoção de medidas preventivas.
As denúncias recebidas, no entanto, apontam que a condução adotada por parte de lideranças da caldeiraria da C3 seguiria lógica oposta, baseada em ameaças, responsabilização individual e punições como forma de gestão.
Na avaliação do sindicato, caso confirmadas, essas práticas podem provocar subnotificação de ocorrências, dificultar a comunicação de riscos pelos trabalhadores e comprometer a construção de um ambiente seguro para todos.
Punições consideradas desproporcionais
Outro ponto levantado nas denúncias refere-se à aplicação de medidas disciplinares consideradas excessivas.
Segundo os relatos, trabalhadores sem qualquer histórico de advertências teriam recebido suspensões por situações que, de acordo com avaliações feitas por gestores da própria refinaria, poderiam ser resolvidas com orientação, DDS ou, no máximo, advertência verbal.
As denúncias também mencionam a demissão de um encarregado da caldeiraria. Conforme os trabalhadores que procuraram o sindicato, ele buscava aplicar, na prática, os princípios de SMS defendidos pela Petrobrás e atuava para reduzir os impactos da postura adotada pela coordenação sobre as equipes.
Ainda segundo os relatos, o encarregado passou a enfrentar dificuldades para desenvolver seu trabalho, com denúncias de boicotes, incluindo a falta de recursos necessários para a correta execução das atividades. Os trabalhadores afirmam que sua demissão ocorreu após divergências com a forma de gestão adotada no setor.
Mesmo após seu desligamento, segundo as denúncias encaminhadas ao sindicato, os casos de assédio, perseguição e punições consideradas excessivas continuaram sendo registrados na caldeiraria.
O sindicato ressalta que todas essas informações fazem parte das denúncias recebidas e devem ser devidamente apuradas.
Favorecimento de familiares também é alvo de denúncias
Além das acusações de assédio moral, o Sindipetro informa ter recebido relatos sobre supostos favorecimentos envolvendo familiares de lideranças da caldeiraria da C3.
Segundo as denúncias, ao mesmo tempo em que parte dos trabalhadores seria submetida a um ambiente de pressão e perseguição, pessoas ligadas às chefias estariam recebendo tratamento diferenciado.
O sindicato defende que essas informações também sejam objeto de investigação para verificar sua procedência.
Sindicato cobra providências
Diante da gravidade dos relatos, o Sindipetro Unificado afirma que já levou as denúncias ao conhecimento da gestão da Recap e agora cobra que a Petrobrás realize uma apuração rigorosa dos fatos.
Caso as denúncias sejam confirmadas, o sindicato defende que sejam adotadas todas as medidas administrativas cabíveis para interromper práticas incompatíveis com a política de SMS da companhia e responsabilizar os envolvidos.
“O ambiente de trabalho deve ser pautado pelo respeito, pela prevenção e pelo diálogo. Uma cultura baseada em ameaças, medo e perseguição, além de atingir a saúde mental dos trabalhadores, pode comprometer a comunicação de riscos, favorecer a subnotificação de ocorrências e aumentar a possibilidade de acidentes. É fundamental que todos os relatos sejam apurados com seriedade, garantindo proteção aos trabalhadores e preservando os princípios de segurança que devem orientar as atividades dentro da refinaria”, reforça o sindicato.
