Em Campinas, Câmara aprova Moção de Apoio à greve dos petroleiros

Vereadores de diversas vertentes políticas declararam apoio às pautas da categoria, em greve nacional há 11 dias

Aproximadamente 100 petroleiros participaram da votação de Moção de Apoio à greve da categoria. Foto: Central de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Campinas

Nesta segunda-feira (10), a Câmara Municipal de Campinas, interior de São Paulo, aprovou Moção de Apoio à greve dos petroleiros. A votação, acolhida pela grande maioria dos vereadores, foi acompanhada por cerca de 100 trabalhadores da região, que estão paralisados há 11 dias. A categoria está mobilizada contra as demissões da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) e o descumprimento dos Acordo Coletivo de Trabalho por parte da direção da Petrobrás.

Antes da votação, a diretoria do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) se reuniu com o presidente da Câmara, Marcos Bernardelli (PSDB), que manifestou apoio à greve. “A Moção representa a opinião do Poder Legislativo em favor do movimento. Durante nossa atuação profissional sempre nos pautamos pelas legítimas causas trabalhistas”, disse o parlamentar.

O diretor do Sindipetro-SP, Gustavo Marsaioli, foi um dos representantes da categoria que esteve presente na reunião com Bernardelli. O petroleiro afirmou que o parlamentar foi receptivo às pautas e comentou sobre as demandas levadas aos vereadores. “A gente espera que com essa Moção haja uma interlocução da Câmara Municipal com os deputados estaduais e federais em São Paulo no sentido de abrir um caminho de negociação. A gente quer voltar a trabalhar, mas pra isso é necessário negociar”, explicou.

Representantes do Sindipetro-SP foram recebidos pelo presidente da Câmara, Marcos Bernardelli (PSDB). Foto: Central de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Campinas

Apesar da paralisação ter chegado a mais de 100 unidades, de 13 estados federativos, a direção da empresa se nega a negociar com os trabalhadores. Por isso, com o mesmo objetivo dessa atividade em Campinas, representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Confederação Nacional dos Químicos (CNQ) se reuniram em Brasília na última quarta-feira (5), com deputados federais e senadores de diversos partidos para cobrar apoio à greve.

Durante a votação em Campinas, o vereador Pedro Tourinho (PT) demonstrou seu repúdio à intransigência da direção da Petrobrás em abrir um canal de diálogo. “Essa é a primeira greve em que as partes não sentaram pra conversar, diante da recusa da diretoria da Petrobrás em dialogar com seus trabalhadores. Isso é inadmissível”, opinou.

Contra demissões e desmonte

As demissões de aproximadamente mil trabalhadores da Fafen-PR é um descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, que indica na Cláusula 26: “A Companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato”. Apesar disso, a direção da empresa não comunicou aos sindicatos sobre a sua intenção de fechar a unidade e demitir sumariamente seus funcionários.

Mas esse não foi o único descumprimento do ACT, já que a Petrobrás também impôs uma nova tabela de turno ininterrupto, o que ocasionará um aumento da já elevada sobrecarga de trabalho nas unidades operacionais. A direção da empresa também tem desrespeitado os fóruns de negociação, impondo banco de horas, alterações de escalas de trabalho e mudanças na Assistência Médica.

De 2013 a 2018, a redução de trabalhadores da Petrobrás foi a maior entre todas as petroleiras do mundo, com aproximadamente 270 mil demissões. No quadro de trabalhadores próprios, foram 23 mil demissões, por meio de Planos de Demissão Voluntária, sem reposição de vagas. Em relação aos terceirizados, foram 248 mil trabalhadores demitidos, o que representa uma redução de 68% o número de postos de trabalho.

*Por Guilherme Weimann, com informações da Central de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Campinas.

Notícias Relacionadas

De forma autoritária, Replan realiza testagem de Covid-19 nas folgas dos petroleiros

Guilherme Weimann

Sindicato orienta adm a não assinar o preenchimento de frequência reduzida

Ademilson Costa

Primeiro caso de coronavírus é confirmado na Replan

Andreza de Oliveira