Pedro Augusto, diretor do Sindicato e da FUP, viaja à ilha junto a parlamentares e militantes para levar mantimentos e prestar solidariedade em meio ao embargo imposto pelo governo estadunidense

[Da Comunicação do Sindipetro Unificado]
A situação em Cuba é de extrema gravidade, em meio à ofensiva do governo dos Estados Unidos comandado por Donald Trump, que declarou nesta segunda-feira (16) que seria “uma honra” para ele “tomar Cuba”. As informações divulgadas na imprensa nos últimos dias apontam para uma pressão estadunidense para uma mudança de regime e pela saída do líder do governo, Miguel Díaz Canel. Isso enquanto a ilha viveu uma noite de apagão generalizado na segunda-feira, que deixou quase 10 milhões de pessoas sem energia elétrica, produto do embargo energético imposto pelos Estados Unidos, que está asfixiando o país.
No final de janeiro, em mais um dos seus ataques indiscriminados e infundados a países que considera inimigos políticos, a Casa Branca definiu Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos, iniciando um novo ciclo de sufoco à ilha, um processo ininterrupto desde a vitória da Revolução cubana em 1959. Neste caso, estabeleceu tarifas adicionais para países que fornecessem petróleo a Cuba, instalando na prática um cerco energético que dificulta enormemente a vida no país e gera uma delicada crise humanitária.
Solidariedade internacionalista

Nesse contexto, diversas iniciativas estão em curso para prestar solidariedade à ilha, como a Flotilha Nuestra América, organizada pela Internacional Progressista, que busca romper o cerco e levar ajuda humanitária à ilha, com chegada prevista em Havana no dia 21 de março. Do Brasil, serão diversos ativistas, parlamentares, representantes de movimentos sociais e sindicatos que participarão da iniciativa. Dentre eles, Pedro Augusto, diretor do Sindipetro Unificado e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que integra a iniciativa junto ao Partido dos Trabalhadores (PT) e outros do campo progressista.
O dirigente embarca para Cuba nesta quarta-feira (18), levando -assim como os demais militantes- malas com diversos medicamentos básicos que estão em falta neste momento na ilha, assim como elementos para garantir a dignidade menstrual para as mulheres e produtos de higiene pessoal. O principal montante das doações, que totaliza cerca de meia tonelada, se encaminha para o país nas embarcações da Flotilha e em outros voos. A campanha inclui a arrecadação de fundos para a compra de equipamentos que permitam o país avançar na sua soberania energética, como placas solares.
A limitação para a importação do petróleo tem agravado muito a situação humanitária na ilha, já que é um item fundamental, que impacta a vida das pessoas em diversos níveis, tanto no acesso à energia elétrica, quanto no próprio acesso à água, à movimentação e transporte de produtos essenciais, alimentos e o funcionamento de serviços de saúde.
Luta antiimperialista
Pedro Augusto coloca a situação em contexto: “Sabemos que esse ataque e o agravamento das condições que os Estados Unidos e o governo Trump têm imposto a Cuba é parte de uma escalada militar e política da extrema-direita no mundo e que tem como principais expressões, neste momento, a guerra do Irã e outros ataques promovidos pelos Estados Unidos e Israel contra países que consideram obstáculos para o estabelecimento de sua hegemonia no Oriente Médio e, no caso aqui da América Latina, sabemos que a doutrina Monroe, que historicamente foi praticada pelos Estados Unidos, enxerga a América Latina como seu quintal e está ganhando uma nova dimensão”. Nesse sentido, para o dirigente, “defender Cuba é defender a América Latina e, ao mesmo tempo, se enfrentar contra a política recolonizadora de Donald Trump”.

O sindicalista coloca a importância da defesa da soberania da América Latina como defesa também para o Brasil, que tem sido vítima dos ataques de Trump e que tem neste 2026 uma eleição de consequências vitais para o país e o continente. “Lutar contra essa ofensiva e essa hegemonia norte americana, no caso brasileiro, demanda lutar e trabalhar para que Lula vença a eleição presidencial, já que ter um governante aliado do Donald Trump no Brasil seria fundamental para os planos de recolonização da continente e o isolamento cada vez maior de Cuba, da própria Venezuela e até mesmo de outros governos que também se colocam como contrapontos ao avanço dos Estados Unidos contra a nossa região, como é o caso do governo Petro na Colômbia e de Cláudia Sheinbaum no México”, afirma Pedro Augusto.
Para ele, é um momento histórico: “Esse é um momento chave para prestar solidariedade a Cuba, fortalecer a resistência do povo cubano, um povo marcado por uma solidariedade ativa ao longo de décadas, desde a Revolução Cubana. Um dos povos mais solidários do mundo merece a nossa solidariedade e apoio, que é o apoio à dignidade e soberania de toda a América Latina”.
Confira o vídeo do dirigente:
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