Sindipetro-SP realiza encontro dos transferidos da Replan

No sábado (18) e na quarta-feira (22), sindicato recebe os petroleiros transferidos de outras unidades para a Refinaria de Paulínia (Replan); os antigos associados também estão convidados

trabalhadores da replan
Os interessados precisam se inscrever por meio de formulário online

Por Guilherme Weimann

No próximo sábado (18) e na quarta-feira da semana que vem (22), o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) abrirá as portas da Regional de Campinas aos novos trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan), transferidos de outras unidades privatizadas da Petrobrás durante o governo Bolsonaro.

O objetivo dos encontros é acolher os petroleiros e apresentar não apenas as instalações do sindicato como o seu funcionamento. “Queremos mostrar que, diante das dificuldades que certamente eles estão enfrentando, o sindicato é um instrumento que eles podem contar, seja para questões específicas do trabalho como também para fazer amigos”, aponta o diretor do Sindipetro-SP, Gustavo Marsaioli.

Nos dois dias, os familiares também são bem-vindos. Por isso, os eventos contarão com espaços lúdicos para as crianças, comidas, bebidas, além de música ao vivo. “A ideia é criar um ambiente descontraído, para uma aproximação de todos que tiverem interesse”, explica Marsaioli.

Os interessados devem se inscrever por meio deste formulário online.

O que: Encontro do Sindipetro-SP com os novos trabalhadores da Replan

Quando: Sábado (18), das 11h às 18h; quarta-feira (22), das 11h às 21h

Onde: Rua Cônego Manoel Garcia, 1010 – Jardim Chapadão, Campinas (SP)

Diáspora petroleira: as dificuldades e as novas possibilidades

trabalhadores de punho erguido
Em 1983, centenas de trabalhadores também foram obrigados a se dispersar após a greve realizada em Paulínia e na Bahia (Foto: Kamá Ribeiro)

Migrar é um direito, mas apenas quando é uma escolha pessoal de cada um – e não uma imposição, seja ela de qual natureza for. No caso da categoria petroleira, infelizmente, diversos trabalhadores se viram obrigados a mudar de seus locais de origem para manter a fonte de renda. Foram milhares de homens e mulheres transferidos das unidades privatizadas da Petrobrás ao longo do governo Bolsonaro.

Para trás, ficaram os times de futebol do bairro, familiares, amigos, os sabores, os cheiros, os afetos e toda uma construção de anos e anos de vidas cheias de particularidades. Na bagagem, esses trabalhadores trouxeram – além das recordações e receios pelos novos desafios – a expectativa de construir novamente amizades e identificações com a nova moradia, o novo bairro e, especialmente, o novo local de trabalho.

Aqui, na Replan, tem ocorrido quase uma diáspora petroleira, decorrente principalmente da antiga Refinaria Landulpho Alves, renomeada após a privatização de Refinaria de Mataripe

“Sabemos o quão difícil é deixar tudo para trás e recomeçar a vida de novo em outro lugar. Tenho ouvido relatos das inúmeras dificuldades que têm surgido nesse processo. Aqui, na Replan, tem ocorrido quase uma diáspora petroleira, decorrente principalmente da antiga Refinaria Landulpho Alves, renomeada após a privatização de Refinaria de Mataripe”, afirma o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Jorge Nascimento.

De acordo com a definição da Oxford Languages, a definição de “diáspora” é: “dispersão de um povo em consequência de preconceito ou perseguição política, religiosa ou étnica”. No caso dos petroleiros, a diáspora ocorreu por causa de um projeto, de acordo com Nascimento, de destruição da Petrobrás. “O motivo [das transferências] é evidentemente político, consequência de um projeto de retirada da empresa do Nordeste, de priorização do lucro aos acionistas privados”, aponta.

Em outros períodos, motivos políticos também dispersaram dezenas e até centenas de trabalhadores da Petrobrás. Foi o caso da greve de 1983, realizada justamente na Replan, no interior de São Paulo, e na Rlam, na Bahia. “É curioso estarmos recebendo aqui trabalhadores da Bahia no mesmo ano em que se completa 40 anos de uma das greves mais marcantes da categoria. Precisamos fazer desse drama o combustível para fortalecer ainda mais a unidade da categoria, a partir de solidariedade e diálogo”, finaliza Nascimento.

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