Novo contrato da VIX corta horas extras, impõe flexibilidade forçada e transfere custos para motoristas da Transpetro

Por um petroleiro que preferiu não se identificar
Os motoristas da Transpetro, agora sob responsabilidade da empresa VIX, denunciam um cenário de precarização que vem impactando diretamente suas condições de trabalho e de vida. O novo contrato da empresa, que assumiu recentemente o transporte de trabalhadores, trouxe uma série de mudanças que retiram direitos históricos da categoria.
A principal reclamação é a forma como a VIX estruturou a jornada: os motoristas não têm horário fixo para entrada, o que impede o pagamento de horas extras e adicional noturno — mesmo quando são convocados às 3h da manhã. Além disso, existe uma limitação rígida de horas trabalhadas por dia: após cumprirem 8 horas, são obrigados a encerrar o expediente, mesmo com carros vazios ainda que o transporte continue funcionando. Nos casos em que a demanda segue, a VIX recorre a táxis em vez de permitir a continuidade do trabalho, retirando dos motoristas a possibilidade de complementar a renda com as horas extras.
Outro ponto grave é que os trabalhadores foram obrigados a utilizar seus celulares pessoais para comunicação de serviço, algo que, em contratos anteriores, sempre foi disponibilizado pela empresa. Isso significa mais custos para quem já perdeu parte importante da renda com a nova regra.
De uma hora para outra, a mudança contratual provocou um grande impacto financeiro nos motoristas, que viam nas horas extras uma forma de equilibrar o orçamento. O resultado é um quadro de exploração disfarçada de modernização, que ameaça a dignidade de quem garante o transporte seguro e eficiente dos trabalhadores da Transpetro.
Vale lembrar que a empresa prega, com ênfase, a preocupação com as condições de vida dos trabalhadores e que essa política vai na contramão da segurança e da garantia de uma qualidade de vida para os trabalhadores.
