Atos na Replan e Recap contra fechamento da Fafen PR

Por Alessandra Campos

Em protesto ao fechamento da Fafen Paraná e à demissão sumária de mil trabalhadores, o Sindipetro Unificado promoveu na manhã da sexta-feira, 17, mobilizações na entrada da Recap, em Mauá, e da Replan, em Paulínia. Nas duas refinarias, a jornada de trabalho começou com cerca de duas horas de atraso.
Petroleiros de vários estados do país realizaram manifestações e denunciaram o descumprimento, por parte da direção da Petrobrás, do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2019, que proíbe demissão em massa sem prévia discussão com a entidade sindical. “O que nós estamos pedindo aqui é o cumprimento do acordo coletivo que foi aprovado pela categoria e que a empresa está rasgando”, afirmou o diretor do Unificado Gustavo Marsaioli.

O economista e diretor-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep), William Nozaki, participou do ato na Refinaria de Paulínia e falou sobre a conjuntura geopolítica do setor de óleo e gás e a importância da Petrobrás para o desenvolvimento nacional. “Cada vez que a Petrobrás decide que vai fechar uma unidade, o que a gente observa de maneira inequívoca é o empobrecimento da região no entorno onde a unidade se localiza, uma diminuição da arrecadação fiscal, do crescimento econômico e do emprego”, argumentou.

Ato na Repar

Nozaki enfatizou que a Replan, maior refinaria do país e que foi construída nos anos 70 com o espírito da autossuficiência energética nacional, tem que se apresentar como um polo de resistência contra esse desmonte do Sistema Petrobrás. “Caso contrário, todo esse esfacelamento que está acontecendo no país certamente vai chegar aqui também de maneira devastadora. A única forma de evitar e minimizar isso é estabelecendo outro patamar de diálogo com a gestão da empresa”.

O coordenador do Unificado, Juliano Deptula, ressaltou aos trabalhadores da Recap que o momento é extremamente delicado e que implicará na organização de uma resposta forte para a empresa. “Temos que mostrar a essa gestão que nossa categoria tem força, que chegou onde chegou por meio de muita luta e que vamos continuar lutando e resistindo”, avisou.
Na Replan, durante o ato, quatro faixas com os nomes dos 400 trabalhadores que serão demitidos com a desativação da Fafen foram estendidas no chão. No encerramento, os petroleiros ergueram as faixas e deram seu recado de luta e união: “companheiros da Fafen Araucária e de todo Sistema Petrobrás, ‘tamu junto’!”

Acidentes

Os trabalhadores da Replan também protestaram contra a falta de segurança, os inúmeros acidentes que vêm ocorrendo na refinaria e denunciaram a postura omissa da gestão frente às ocorrências. “Não podemos baixar a guarda e ficar calados. Temos que denunciar as mentiras, omissões, tudo o que está acontecendo aqui, porque do jeito que nossa gerência está lidando com isso, logo vai ocorrer aqui um acidente fatal”, alertou o diretor sindical Marcelo Garlipp.

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