Afinal, quem é o presidente do Brasil

 

Foto Marcelo Casal /Agencia Brasil

Por Norian Segatto

No mesmo final de semana em que ocorreram os ataques a refinarias na Arábia Saudita, Jair Bolsonaro disse, de viva voz, que havia ordenado à Petrobrás segurar os reajustes dos combustíveis. Dirigentes do Unificado elogiaram a atitude do mandatário, ressalvando a incerteza de acreditar em suas palavras, visto as constantes vaivém de pronunciamentos e atos de seu governo.

Pois bem, dois dias depois, o governo anunciou solenemente reajuste de 3,5% no preço da gasolina e 4,2% no do Diesel, em uma clara demonstração de que quem manda no Palácio da Alvorada é Paulo Guedes, ministro da Economia e vassalo do mercado financeiro.

Forma-se, cada vez mais na opinião de analistas políticos, que Bolsonaro é apenas o “bobo da corte”, que usa frases de efeito para distrair a plateia, enquanto quem verdadeiramente manda são uns poucos generais, um ministro entreguista e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Sobre o impacto do aumento dos preços dos combustíveis, o diretor do Unificado e da FUP, João Antonio de Moraes, concedeu uma entrevista à Rádio Brasil Atual, analisando os efeitos dessa decisão. Acompanhe no texto abaixo, publicado no site da FUP.

Para João Moraes, a atual política de preços da estatal prejudica a maioria da população para beneficiar os acionistas do mercado financeiro e as petroleiras internacionais. “O Brasil produz petróleo suficiente para abastecer a sua população. Tem refinarias capacitadas para abastecer o mercado. Os trabalhadores petroleiros também não recebem em dólar. Na verdade, atrelar ao dólar e ao mercado internacional o aumento do preço dos combustíveis facilita a vida das multinacionais do petróleo, prejudicando a Petrobras”, afirmou Moraes para a Radio Brasil Atual .

Moraes afirma ainda que, com o reajuste dos preços, a expectativa é que os caminhoneiros voltem a protestar. “Seria importante que os caminhoneiros se mobilizassem. O governo Bolsonaro ainda detém o controle da Petrobras. Essa decisão de aumentar os preços dos combustíveis é porque a pressão de fora é maior. Temos que nos mobilizar para exigir uma política de preços dos combustíveis que seja razoável com a nossa condição de país produtor de petróleo e que tem refinarias em condições de abastecer o país”, acrescenta.

Por sua vez, a Agência Nacional do Petróleo alega que a elevação dos preços internacionais seria positiva para o país, “exportador líquido” da matéria-prima. Contudo, segundo Moraes, seria mais benéfico ao desenvolvimento da economia brasileira se a estatal ampliasse a sua capacidade de refino, para garantir o abastecimento energético à população.

Em vez disso, o governo pretende privatizar oito refinarias (quatro em estágio avançado dos processos), aumentando a vulnerabilidade frente às flutuações do mercado internacional. As elevações de preços devem atingir o consumidor cada vez mais rapidamente, por conta da privatização da BR Distribuidora, ocorrida em julho.

Moraes ainda chama a atenção para o desmantelamento da política de conteúdo nacional, que previa percentual mínimo de componentes utilizados na exploração do pré-sal produzidos internamente. Em vez disso, o governo Bolsonaro tem preferido fazer a empresa adquirir plataformas e sondas no mercado internacional.  “O petróleo do pré-sal, que poderia funcionar como uma alavanca do desenvolvimento nacional, passa a ser uma mera commodity internacional a ser exportada, importando óleo diesel e gasolina”, lamentou.

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