Bronca do Peão: que pasa na Infraestrutura da Recap?

Falhas na gestão da Infra da Recap têm gerado atrasos na higienização de EPI’s, problemas no transporte do turno e dificuldades na alimentação de trabalhadores com restrições

(Imagem gerada por Inteligência Artificial)

Por Bronca do Peão*

Aproveitando o clima de Copa do Mundo e a saudável rivalidade futebolística com nossos irmãos argentinos, esse Bronca vem pra alertar que o jogo com a Infra da Refinaria de Capuava (Recap) está difícil, como se fosse uma final contra os atuais campeões mundiais, com Messi e companhia.

Higienização de EPI´s

Há tempos que a gestão de Infraestrutura da Recap  parece estar perdida. O exemplo mais recente foi o contrato de higienização de uniformes, toalhas e outros EPI´s, que acabou sem que a gestão tivesse realizado um novo processo de licitação. Resultado: EPI´s e toalhas viajando para Paulínia para serem lavados junto com os EPI´s da Replan (Refinaria de Paulínia), o que tem gerado atrasos no retorno de uniformes e falta de toalhas para os trabalhadores da Operação, Manutenção e SMS. As perguntas que ficam são: ninguém percebeu que o contrato estava por acabar, ou isso é parte de alguma estratégia que até agora ninguém conseguiu entender? Qual é o custo adicional que a Recap está tendo devido a essa falha ou escolha da gestão?

Transporte

Mas o problema não para por aí. Desde a chegada das últimas turmas de novos trabalhadores do turno, parece que virou moda a “Pegadinha do transporte”. Para os trabalhadores que moram em determinadas localidades, primeiro a Infraestrutura nega o direito garantido na lei 5.811/ 1972 de transporte gratuito para o turno, e as previsões em  padrões da empresa de transporte na porta da residência. Aí se colar, colou. 

Somente após intervenção do Sindicato ou de trabalhadores da base junto às gerências que o direito é garantido. Em alguns casos, recomendaram que as trabalhadoras andassem cerca de 1 Km à pé às 5h da manhã, no escuro, para chegarem ao local onde pegariam o fretado. E isso tudo ignorando a onda de feminicídios e violências sexuais contra as mulheres que assolam o nosso país. Em outros casos, trabalhadores foram orientados a pegarem transporte público, passarem 2 horas em viagem e ainda caminharem da Estação de Capuava até a refinaria para pegarem o turno.

O argumento para a “Pegadinha do Transporte”? Segundo a gestão da Infraestrutura da Recap: falta de verba. É sério que uma empresa que lucrou 110 Bilhões de Reais em 2025 está com dificuldades em disponibilizar verba para garantir que as trabalhadoras e trabalhadores do turno cheguem à refinaria com segurança, e possam render seus companheiros do turno anterior? E quando questionada, a gestão da Infraestrutura passou a bola para a GG. 

É mais uma pegadinha, ou realmente essa “economia de palitos” tem partido da alta gestão da Recap? Preferimos pensar que se trata de um “mal entendido” muy amigo, que precisa ser imediatamente corrigido, mas que acaba expondo a gerência geral da refinaria.

Outro problema com o transporte é a enorme quantidade de trabalhadores que ultrapassam 2h diárias dentro dos fretados, além das 12h de jornada e 30 minutos de HETT. Diante desse cenário que leva nossa equipe a jogar no sacrifício, já não passou da hora de aumentarmos a quantidade de linhas do turno ou garantirmos transporte em carro pequeno para todos que ultrapassarem 1h em cada trecho do trajeto entre as residências e a refinaria? Ou mesmo a realização de estudo para reorganizar toda a lógica do transporte, que segue a mesma há décadas? 

Mesmo com a mudança da jornada de turnos de 8h para 12h, parece que a Infraestrutura quer manter o mesmo esquema tático ultrapassado, que tem levado as equipes à exaustão, ou mesmo a preferirem abrir mão do direito ao transporte gratuito, usando seu transporte particular, para não passarem 1h30 ou até 2h dentro das vans. E é sabido que o contrato permite à fiscalização a ampliação da atual quantidade de linhas de turno.

Alimentação

Outro problema recorrente tem sido a pouca variedade na alimentação para pessoas com restrição alimentar ou dietas específicas por motivos de saúde ou por outras questões. Mesmo após diversas reclamações, o cenário segue inalterado, o que tem feito com que algumas pessoas recorram a trazer comida de casa, para não comer todos os dias a mesma coisa.

Será que vamos ter que chamar o VAR da categoria pra resolver essas situações, ou vamos conseguir resolver dentro de campo?

*Texto escrito por petroleiro que preferiu não se identificar.

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