Mesmo após alertas e ocorrências anteriores, trabalhadores relatam manutenção de práticas inseguras, pressão sobre equipes e descumprimento de procedimentos operacionais na refinaria

Por Bronca do Peão*
Trabalhadores próprios e contratados da área de Transferência e Estocagem da REPLAN voltaram a ser expostos a situações de risco em decorrência de falhas operacionais e de segurança denunciadas reiteradamente pela CIPA e pelo sindicato.
Em 2025, um vazamento de gasolina foi registrado durante o desraqueteamento de um tanque. Na ocasião, representantes dos trabalhadores já alertavam que o check-list de retorno de tanque vinha sendo negligenciado pela coordenação de manutenção. Segundo denúncias, em alguns casos o procedimento deixava de ser realizado; em outros, era preenchido remotamente, sem inspeção do equipamento em campo. Ainda naquele episódio, um coordenador teria afirmado que “o treinamento é assim mesmo no setor, a quente”, declaração que gerou indignação entre os trabalhadores.
Desde então, outras ocorrências e denúncias foram registradas. Entre elas, a remoção de PSV’s sem a aplicação da expansão exigida pela ADTCP — mesmo após autorização condicionada do gerente geral à implementação de uma salvaguarda que, segundo relatos, nunca foi efetivamente aplicada.
Também foram denunciadas atividades em tanques em manutenção geral com entrada de trabalhadores sem a desenergização dos agitadores, além de vazamentos de gaxeta que expuseram equipes a produtos aquecidos.
O caso mais recente voltou a acender o alerta na unidade. De acordo com trabalhadores da base, um técnico de segurança identificou atmosfera explosiva durante uma liberação para trabalho em espaço confinado. A situação teria sido causada pela transferência indevida de GLP através de uma raquete de esfera removida irregularmente.
Segundo a CIPA e o sindicato, as denúncias apresentadas pelos trabalhadores seguem sem resposta efetiva da gerência. As entidades afirmam que não houve reforço nos treinamentos nem revisão dos procedimentos operacionais.
Em contrapartida, representantes sindicais denunciam práticas de retaliação contra a equipe, além da tentativa de atribuir à CIPA a responsabilidade pelas medidas adotadas, numa estratégia para desqualificar o trabalho da comissão e isentar a gerência de suas responsabilidades.
Também são denunciados o uso de avaliações de desempenho como instrumento de pressão, assédio e intimidação aos trabalhadores e seus representantes. Diante da reincidência de situações graves e da ausência de medidas efetivas, os trabalhadores reafirmam: não vamos nos calar.
