Petroleira histórica da greve de 1983 e pioneira entre as mulheres no movimento sindical, Wanda Conti reúne mais de 130 pessoas em despedida de forte emoção e compromisso com a luta

Entre lágrimas, risos e histórias compartilhadas, mais de 130 pessoas se reuniram nesta terça-feira (14), na sede do Sindipetro Unificado, em Campinas, para se despedir de Wanda Conti — uma militante que fez da luta também um espaço de afeto e alegria. Falecida na noite do dia 13 de abril, ela foi homenageada com 13 coroas de flores, numa coincidência carregada de simbolismo que parecia dialogar com sua trajetória intensa, marcada pela firmeza nas convicções, pelo amor à classe trabalhadora e por um humor sempre presente, mesmo nos momentos mais duros.
Companheiros de luta, amigos, familiares e representantes de diferentes espaços da militância se reuniram para prestar as últimas homenagens a uma das figuras mais marcantes da história do sindicalismo petroleiro. Ao longo do velório, depoimentos emocionados relembraram não apenas a atuação política de Wanda, mas também sua personalidade firme, solidária e profundamente comprometida com a transformação social.
Walter Pomar, diretor da Fundação Perseu Abramo, destacou a convivência com Wanda desde os anos 1980, quando ambos atuavam na formação política da classe trabalhadora. “Ela teve uma participação destacada aqui na cidade. Se definia como cristã, sindicalista, petista e uma radical de esquerda socialista”, afirmou. Pomar também ressaltou o senso de humor e a intensidade com que Wanda viveu sua militância: “Era uma pessoa muito alegre, muito solidária, um tipo muito especial. Uma figuraça, que faz parte de uma geração que ajudou a construir coisas maravilhosas no nosso país”.
A ex-prefeita de Campinas, Izalene Tiene, relembrou o caráter combativo de Wanda e sua coerência na luta. “A Wanda era persistente e brava. Falava da luta, e se você discordasse sem argumentos, ela ficava brava”, disse. Em tom de despedida, destacou o legado deixado pela dirigente: “Nossa despedida é colocar você hoje na sua sepultura como uma semente, que vai continuar dando frutos. A luta continua, e nós vamos te honrar com essa continuidade”.
Diretora do Sindipetro Unificado e coordenadora geral da FUP em exercício, Cibele Vieira enfatizou o papel histórico de Wanda como pioneira no movimento sindical. “Estamos celebrando a vida da Wanda Conti, a primeira mulher sindicalista petroleira do estado de São Paulo e provavelmente do Brasil”, afirmou. Cibele também retomou uma das reflexões deixadas por Wanda: “Ela dizia que a memória viva não se transforma em ausência, mas em legado. Estou aqui representando as que vieram depois de você, enfrentando aqueles que acham que devemos apenas servir cafezinho”.
A aposentada da Refinaria de Paulínia (Replan) e diretora do Sindipetro Unificado, Eliana Frozel, trouxe um relato marcado pela convivência e admiração. “Uma amiga, guerreira, companheira. Nunca fugiu de nenhuma luta, sempre pelo socialismo e pelo avanço das conquistas dos trabalhadores”, disse. Eliana também destacou a multiplicidade de espaços ocupados por Wanda: “Quando vemos essas homenagens, com símbolos da fé, da política e do movimento sindical, entendemos que tudo isso fazia parte da vida dela. Ela viveu intensamente e nunca foi omissa”.
A vereadora Guida Calixto também prestou homenagem, ressaltando a importância de Wanda Conti na formação de novas gerações de militantes e lideranças políticas. Segundo ela, a convivência ao longo de duas décadas deixou marcas profundas, tanto no campo político quanto pessoal. “Conheci a Wanda há cerca de 20 anos, e tenho muito orgulho de tudo que aprendi com ela. Tivemos a oportunidade de viver a mesma época, de compartilhar a militância e de, na prática, usufruir do legado que ela construiu”, afirmou. “A Wanda foi uma mulher que abriu caminhos, que enfrentou barreiras e que deixou uma trilha para que outras de nós pudéssemos seguir lutando.”
Entre bandeiras, flores e símbolos que marcaram sua trajetória — da fé cristã à militância sindical e partidária —, Wanda Conti foi lembrada como uma liderança que uniu diferentes dimensões da vida em torno de um mesmo projeto: a luta por justiça social.
Ao final da cerimônia, o sentimento compartilhado entre os presentes era de que sua ausência física se transforma, a partir de agora, em compromisso coletivo com a continuidade de sua luta.
Projeto Memórias
Ao longo de sua trajetória, Wanda Conti também deixou registros importantes de sua própria história. Em 2023, concedeu uma entrevista ao projeto Memórias, do Sindipetro Unificado, ao jornalista Guilherme Weimann, na qual refletiu sobre sua vida, sua militância e o sentido da luta coletiva — reafirmando que mais importante do que ser lembrada como pessoa é que a luta dos trabalhadores siga viva como legado.
Leia a reportagem e assista a entrevista.
Wanda Conti, Presente!





