A cada mês, o aperto financeiro afeta aposentados da Petrobrás, transformando o Natal em um reflexo de um ano cheio de privações

Outro dezembro chegou, mas o espírito natalino parece ter desviado seu rumo aqui em casa. A árvore está lá, com as mesmas bolas de outros anos, mas sem brilho. O peru? Esse foi arrancado junto com a paz que eu tinha no peito, sufocada pelos malditos planos de equacionamento da Petros.
Fui petroleiro a vida toda. Não faltaram noites mal dormidas, turnos dobrados, e um cansaço crônico que só quem vestiu o macacão da Petrobrás conhece. Trabalhei duro, paguei minha parte à Petros, acreditando que, ao me aposentar, teria alguma tranquilidade. Hoje, a cada mês que passa, é como se me dissessem: “Você confiou na coisa errada, companheiro.”
O peru, a farofa, os presentes para os netos… tudo virou cálculo. Só que agora não são cálculos de segurança operacional ou produção, mas de sobrevivência. E sei que não estou sozinho. Tem gente da nossa turma comendo o pão que o diabo amassou. Uns já tiveram que vender carro e vi aposentado que está fazendo bicos por aí. Alguns, infelizmente, não aguentaram a pressão.
Enquanto isso, dona Magda Chambriard, presidenta da Petrobrás, parece no mínimo pouco sensível ao sofrimento que ecoa entre os aposentados. A mesma empresa que dizia ser uma família hoje virou as costas para quem construiu seus alicerces. Cadê o diálogo? Cadê a humanidade?
Este Natal será sem peru, mas com muito amargor. Ainda me pergunto: até quando vamos tolerar isso? Até quando a Petrobrás, a Petros e a Magda vão fingir que está tudo bem, enquanto nós, que demos nossas vidas à empresa, seguimos sufocados?
Talvez a resposta venha no ano que vem. Talvez, quem sabe, numa nova luta que só os velhos petroleiros sabem travar. Por enquanto, o que me resta é olhar a mesa mais vazia, mas com a certeza de que essa conta, uma hora, vai chegar para quem está no topo. Feliz Natal? Só se for para eles. Aqui, seguimos com o peru arrancado e a dignidade ferida.
Mas vale destacar a solidariedade dos petroleiros da ativa, que fizeram questão de caminhar até agora ao nosso lado – espero que assim continue até que possamos novamente termos todos um peru em nossas mesa. Assim como eles têm direito a uma PLR mais justa, nós temos direito a uma aposentadoria digna, não é mesmo?
