Cade notifica Petrobrás que venda de refinarias exige aval do órgão

Ofício foi enviado à estatal após estudos apontarem que preço da venda de refinaria na Bahia está abaixo do valor de mercado

O órgão tem um prazo de até um ano para pedir a submissão dos “atos de concentração” que não se enquadrem na lei (Foto: Sindipetro-BA)

Por Guilherme Weimann, do Petróleo dos Brasileiros 

A Procuradoria Federal Especializada (PFE), que atua junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), enviou notificação à Petrobrás na última terça-feira (23), em que aponta a necessidade de aval do órgão regulador para a venda de refinarias controladas pela estatal.

O documento, assinado pelo procurador-geral do Cade, Walter Agra, e enviado ao advogado da Petrobrás, André Tostes, afirma que qualquer privatização deverá ser precedida por notificação à entidade.

“Qualquer ato de concretização/consumação de desinvestimento em sede de cumprimento das obrigações pactuadas no Termo de Compromisso de Cessação – TCC formalizado nos autos do presente processo deve obedecer à sua cláusula 4.4: análises antitruste detalhadas da aquisição dos Ativos Desinvestidos pelos compradores deverão ser feitas em notificações de atos de concentração independentes ao Cade, na medida em que a notificação for obrigatória nos termos legais”, afirma o ofício.

Leia também: Petrobrás negocia venda da Refinaria Landulpho Alves por preço abaixo do mercado

Em 2019, a Petrobrás assinou um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o Cade, no qual  se comprometeu a vender 8 de suas 13 refinarias, que representam cerca de 50% da sua capacidade de refino instalada, como forma de estimular a concorrência no setor.

O texto ainda aponta que o Cade tem um prazo de até um ano para pedir a submissão dos “atos de concentração” que não se enquadrem na lei. “Por tais razões sugere-se que não seja concretizada qualquer das vendas acordadas no TCC sem a prévia análise da proposta integral pelo Cade”, pontua o procurador.

Valor abaixo do mercado

A notificação do Cade ocorreu após estudos apontarem que a quantia de US$ 1,65 bilhão (R$ 8,8 bilhões) aceito pela Petrobrás para vendar a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) – segunda maior unidade de processamento de derivados da estatal – para o Fundo Soberano Mubadala Capital, dos Emirados Árabes, está abaixo do valor de mercado.

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) apontou que o preço negociado de venda é cerca de 50% inferior ao valor real da refinaria. De acordo com os cálculos dos pesquisadores, o ativo está avaliado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 17 bilhões e R$ 19 bilhões). Já o BTG Pactual, que ocupa a terceira colocação entre os maiores bancos privados brasileiros, estimou que a negociação da refinaria está 35% subfaturada e que, consequentemente, seu valor no mercado é de R$ 13,8 bilhões.

Judicialização

O baixo valor de venda anunciado pela Petrobrás motivou o ex-governador da Bahia, Jacques Wagner, entrasse com uma ação na Justiça Federal de Salvador (BA), assinada também por dirigentes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), pedindo a suspensão da privatização da Rlam.

Na mesma linha de contestação, o Sindipetro-BA também ingressou com uma denúncia no Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, aprovou uma greve, que foi suspensa temporariamente após a Petrobrás abrir diálogo em mesa de negociação com a categoria.

Posts relacionados

Sindipetro Unificado convoca assembleias para aprovar calendário de lutas

Maguila Espinosa

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIAS

Ademilson Costa

ELEIÇÃO SINDICAL RELAÇÃO DE CHAPAS REGISTRADAS

Ademilson Costa

ACT 2025

Responda a pesquisa da campanha reivindicatória 2025