Trabalhadores da Emthos conquistam reajuste, abono e benefícios após greve

Categoria encerrou paralisações na Emthos e aprovou acordo coletivo que garante 5,13% de reajuste, abono de 24% do salário, vale alimentação de R$ 490 e manutenção do plano de saúde 

Trabalhadores da Emthos fecham acordo com a empresa (Foto: Guilherme Weimann)

Por Vítor Peruch

Após greve e semanas de impasse, os trabalhadores da Emthos Engenharia aprovaram um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que garante reajuste salarial, pagamento de abono, ampliação de benefícios e estabilidade em direitos. A assinatura ocorreu após mobilização liderada pelo Sindipetro Unificado e decisões judiciais que pressionaram a retomada das atividades na Refinaria de Paulínia (Replan).

O novo ACT, com vigência entre 1º de setembro de 2025 e 31 de agosto de 2026, estabelece reajuste de 5,13% sobre os salários, além de um abono indenizatório correspondente a aumento real de 2% ao mês, totalizando 24% do salário-base ao longo de um ano, pago em seis parcelas.

Também foram garantidos benefícios como ticket alimentação de R$ 490,44, refeição no local de trabalho sem desconto em folha, cesta natalina no valor de R$ 600 e transporte gratuito. A empresa manterá ainda plano de saúde pela Central Nacional Unimed, com coparticipação limitada a 25%, além de seguro de vida adicional ao obrigatório pelo INSS.

Entre as conquistas econômicas, destacam-se ainda o pagamento de salários até o 30º dia de cada mês, horas extras remuneradas em 50% nos dias úteis e 100% em domingos e feriados, adicional de periculosidade de 30% e adicional de interinidade assegurado a partir do primeiro dia de substituição não eventual.

O processo de negociação foi marcado pela greve. A primeira paralisação ocorreu em 4 de setembro, após rejeição unânime da proposta inicial da empresa, que previa apenas 4,5% de reajuste. A segunda começou em 9 de setembro e foi encerrada dois dias depois, após decisão judicial que determinou multa diária de R$ 100 mil caso a greve fosse mantida.

Apesar da intervenção da Justiça, dirigentes do Sindipetro destacaram o saldo positivo da mobilização. “Tivemos grandes avanços em todo o processo de negociação. O movimento garantiu conquistas econômicas e sociais que a proposta inicial não contemplava”, afirmou Steve Austin, diretor do sindicato.

Para o advogado João Faccioli, que acompanhou as negociações, a decisão de encerrar a greve foi estratégica. “O juiz determinou o retorno imediato sob pena de multa. A categoria optou por preservar os ganhos conquistados e seguir negociando em mesa e nas audiências de conciliação”, explicou.

Dirigentes também ressaltaram o impacto simbólico da paralisação. “Além das conquistas financeiras, houve uma vitória emocional. Eles são resistência e referência para os demais terceirizados do Sistema Petrobrás”, disse Vereníssimo Barsante, diretor do Sindipetro.

A avaliação é compartilhada por Rodrigo Araújo, também dirigente sindical: “A greve da Emthos mostra a importância da luta dos trabalhadores. Depois de dois dias, a empresa se viu obrigada a atender em parte o que estava sendo pleiteado. É um exemplo para outros contratos dentro do Sistema Petrobrás.”

Embora o acordo assinado represente um avanço em relação à proposta inicial, a direção sindical afirma que a mobilização terá continuidade em outras frentes. O próximo passo é acompanhar a tramitação do dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo e manter a categoria mobilizada para novas disputas contratuais.

Com a assinatura do ACT, os prestadores de serviço da Emthos Engenharia, que atua em serviços de manutenção na Replan e em outras unidades do Sistema Petrobrás, passam a contar com um pacote de direitos considerado mais robusto do que o inicialmente ofertado pela empresa.

Confira o acordo assinado:

ACT 2025-2026 EMTHOS SÃO PAULO E MTassinado

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