Segurança sem descanso na Transpetro – MIB: Mercado Ignora o Básico

Em Uberaba, trabalhadores da vigilância denunciam sobrecarga, desvio de função e descaso de empresa terceirizada que presta serviço à Transpetro; Supervisão impõe jornada exaustiva sem folga há quase um mês

A equipe de vigilância da Transpetro em Uberaba está sendo levada ao limite. Trabalhando sem folga há quase um mês, os vigilantes são vítimas de uma rotina que mistura desrespeito, medo e superexploração. A denúncia foi feita por trabalhadores próprios da unidade, que se revoltaram ao ver o tratamento dispensado aos colegas terceirizados da MIB – empresa contratada para prestar o serviço de segurança patrimonial.

Os relatos são graves: vigilantes atuando como porteiros, acúmulo de função sem reconhecimento, não pagamento dos tíquetes refeição relativos aos dias extras trabalhados e uma limitação imposta pela MIB que só autoriza o pagamento de duas horas extras por mês — mesmo quando o trabalhador ultrapassa esse tempo repetidamente.

E como se não bastasse, a supervisão da empresa impõe o silêncio por meio do medo. Muitos vigilantes evitam relatar os abusos por receio de represálias e perda do emprego.

“A situação novamente comprova uma face cruel do sistema de terceirização: empresas privadas que ganham contratos milionários com a Petrobrás às custas da dignidade e do suor dos trabalhadores, que carregam nas costas a segurança de instalações estratégicas, muitas vezes sem o mínimo de valorização”, afirma o diretor do Sindipetro Unificado, Vereníssimo Barçante, que completa: “É urgente que a MIB seja cobrada, que a Transpetro fiscalize e que os órgãos competentes investiguem. Não se combate a insegurança com mais insegurança. O trabalhador da segurança também precisa estar seguro – no direito, no salário e na vida”.

Em seu site institucional, a MIB promete “excelência, profissionalismo e agilidade”. Diz oferecer “um serviço prestado com extrema excelência e eficácia”, executado por “profissionais treinados e prontos para realizar um serviço da qualidade que você merece”. A empresa ainda destaca sua longa experiência no setor e garante “rapidez e agilidade no atendimento e na realização dos serviços”. No entanto, o que se vê na prática em Uberaba é o oposto: vigilantes sobrecarregados, sem folga, acumulando funções e sendo tratados com descaso — um abismo entre o discurso publicitário e a dura realidade enfrentada pelos trabalhadores.

O Sindipetro Unificado tem cobrado tanto da empresa como da Petrobrás respostas às denúncias recebidas.

 

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