Os tiros que mataram Marielle têm som de panelas batendo

O que o espancamento de professores em São Paulo, a eminente prisão de Lula e o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes, a intervenção militar no Rio de Janeiro têm em comum? São tecidos de uma mesma trama que apodrece a sociedade brasileira e mantém um cadáver insepulto caminhando pelos corredores palacianos.
O golpe de 2016, dado para barrar os avanços democráticos e promover o aprofundamento das desigualdades econômicas e sociais mostra sua pior face: a do assassinato.
Funcionários públicos, a maioria formada por professores em greve, ocuparam a frente da Câmara Municipal para protestar contra o projeto que aumenta a parcela que o funcionalismo terá de pagar em sua previdência. Foram espancados pela Guarda Civil metropolitana. Doria se cala em sua mesquinhez fascista.
O assassinato de Marielle teve repercussão internacional e expõe o fracasso da intervenção, que ensaia se espalhar por outros estados e ir militarizando o país. O país já viu isso em 1964 e até hoje paga o preço de mais de duas décadas de ditadura.
O que se desenvolve no seio da sociedade é o viés fascista, intolerante, homofóbico, racista. O ódio que a elite brasileira sente pelos trabalhadores é comparável às diferenças étnicas que fizeram a Iugoslávia desaparecer em uma sangrenta guerra civil.
Nossa frágil democracia está sob ataque. Ataque de panelas, de patos, de tiros, de bandidos engravatados que jogam diariamente com a vida de milhares de outros brasileiros, vítimas do crescente ódio que a classe dominante nutre pelos “do andar de baixo”.
Resistir é a palavra. Este país é da maioria, não de uma minoria ideologicamente identificada com o que de mais podre a humanidade produziu.

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