Os possíveis efeitos para o Brasil pós-ataques na Arábia Saudita

Cloviomar Cararine

O primeiro efeito será a queda rápida da produção de petróleo da Arábia Saudita, que também é a maior produtora do mundo, e isso trará efeitos para todos e inclusive para o Brasil.

Primeiro, o preço do barril sobe e impacta no preço interno de derivados. Com a política de paridade internacional de preços de derivados adotada pela Petrobrás desde 2016, a empresa passa a acompanhar a variação dos preços internacionais (se sobe lá fora, sobe aqui e vice versa).

Depois, os preços dos derivados ainda não subiram porque a Petrobrás passou a adotar recentemente, a política de preços utilizada pelos governos petistas (esperar uns dias para ver se o preço se estabiliza).

Haverá forte competição pelos próximos três leilões de áreas de petróleo que a ANP irá realizar (em outubro a 16ª rodada de concessão; novembro a rodada de excedente da cessão onerosa e 6ª rodada de partilha no pré-sal). Terá maior interesse das petroleiras estrangeiras em aumentar suas participações na produção de petróleo nacional, em especial nos campos do pré-sal.

Ou seja, passamos a vivenciar internamente qualquer mudança abrupta sofrida no mercado mundial de petróleo. Uma guerra que a princípio não temos nada a ver, passou a influenciar (e muito) no nosso país.

Existe uma pressão do mercado para a Petrobrás ajustar (subir) os preços dos derivados, haverá então a temida “ingerência” do governo sobre a política de preço (nisso concordamos, pois entendemos a empresa como estatal), abrirá ainda mais para a participação de petroleiras estrangeiras na produção do pré-sal.

Outro fato que precisamos considerar é que o setor de refino sofre inversamente com a variação de preços do barril de petróleo, quando este sobe, os ganhos do setor caem por conta do preço, isso em comparação com o setor de E&P (produção). Quanto maior o preço do barril, maiores são os ganhos de E&P e menores de refino. Contudo, o contrário também acontece. Bem, isso poderá ajudar a política privatista do atual governo, pois poderá baixar os preços das refinarias que estão à venda. Apesar de tudo, aqui trato apenas de uma especulação.

* Cloviomar Cararine é economista e responsável pela subseção Dieese/FUP

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