‘Todas as formas de vida importam. Mas quem se importa?’ é o lema de 2024 da histórica mobilização do Grito dos Excluídos. Ato no dia 7/9 em São Paulo será na Praça da Sé, às 9h
Por André Accarini e Rafael Silva, da Comunicação da CUT
Neste sábado, 7 de Setembro, será realizada a 30ª edição do Grito dos Excluídos, mobilização que reúne movimentos populares, organizações sociais e entidades sindicais, ente elas a CUT, com o objetivo de dar voz às pautas de segmentos minorizados da sociedade como a população negra, os indígenas, mulheres, LGBTQIA+, população em situação de rua, movimentos que lutam por moradia dignam entre vários outros.
O Grito nasceu no Brasil a partir da atuação das pastorais sociais ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e se firmou como um espaço de denúncia das desigualdades sociais. Todos os anos, ele ocorre no Dia da Independência, ocupando ruas e praças, justamente para que se possa fazer uma reflexão à data sobre a real independência da população.
Por conta da proximidade das eleições municipais, a atividade pode ganhar um caráter político, alertando sobre as consequências do voto em candidatos extremistas que se apresentam como “salvadores da pátria”.
Atos serão realizados em várias cidades do país. Veja os locais abaixo.
Luta
Neste ano, o lema do Grito dos Excluídos é “Todas as formas de vida importam. Mas quem se importa?”. O secretário de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT, Milton Rezende (Miltinho), explica que durante todos os anos a mensagem foi sobre a necessidade se superação das desigualdades, de ter um olhar do processo de exclusão social ainda existente no país.
“Alguns temas já existiam desde 1995, mas tomaram força nos últimos anos como a fome, a proteção à vida, o meio ambiente, relacionado à crise ambiental, que tomou grandes proporções este ano, além da intolerância não só política, mas a social que exclui e oprime segmentos da sociedade. Há toda uma agenda que achamos ter superado na década passada, mas que voltaram com força nos últimos anos, com um governo de extrema direita que provocou uma destruição na vida das pessoas mais vulneráveis”, diz Miltinho.
Portanto, diz o dirigente, a pergunta é “para quem importa salvar essas vidas?”. A marca importante, ele prossegue, é a ideia de superar o patriotismo passivo hoje visto na sociedade. “O que a gente quer é trazer o conjunto da sociedade para uma ação e cidadania ativa, acima de tudo levando em consideração os problema sociais que vivemos”, diz. O dirigente afirma ainda: “O grito envolve organizações, movimentos, entidades religiosas, ou seja, um espaço de toda a base e luta social pra dizer que precisamos de uma outra consciência política, de uma nova ordem mundial, não só no Brasil. E a consciência de que as políticas neoliberais só trazem mais adoecimento, mais desemprego”.
Confira onde ocorrerão atos no Estado de São Paulo:
- Capital – Praça da Sé – Concentração às 9h.
- Mogi das Cruzes – Celebração Eucarística, às 9h, na Igreja do Carmo seguida de caminhada até à Praça do Rosário e ato público, às 11h.
- Diadema/ABC – Concentração na Igreja Matriz, na Rua Agostinho Bertolli, s/n, Centro, às 8h.
- Campinas – Concentração às 9h, no Largo do Pará, na Avenida Francisco Glicério.
- Presidente Prudente: durante a Feira da Reforma Agrária, que acontece na Rua Júlio Tiezzi, entre 9h e 13h, haverá ato ecumênico e apresentação do espetáculo Democracia, da Trupe Olho da Rua.
- Itupeva – Comunidade São João Paulo II, na Barão da Boa Vista, às 15h.
- Aparecida – Concentração na Praça Nossa Senhora Aparecida, em frente à Basílica Histórica, às 6h. Mística de oração em frente à Basílica Histórica, às 7h, com caminhada até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Missa com simbologia da classe trabalhadora, às 9h. Ato na Tribuna Bento XVI, às 10h.

