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Frente Petroleira LGBT completa um ano de resistência

Organização reúne trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás e de empresas terceirizadas, espalhados por diversos estados do país

Frente Petroleira LGBT reúne trabalhadores organizados nas duas federações da categoria (Foto: Guilherme Gandolfi)
Reportagem: Guilherme Weimann

Nesta sexta-feira (29), a Frente Petroleira LGBT completa seu primeiro aniversário. O dia 29 de maio do ano passado marcou a decisão de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros de pautar a questão de gênero e sexualidade dentro dos sindicatos e das empresas petroleiras.

A ideia de criação do grupo surgiu durante a 8ª Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que ocorreu em Belo Horizonte (MG), em maio do ano passado. Desse encontro nasceu o embrião do grupo, a partir das evidências em relação à urgência de fortalecer a auto-organização e encaminhar as reivindicações LGBT dentro do mercado de trabalho petroleiro.

Apesar da origem se remeter a uma plenária da FUP, a Frente Petroleira LGBT conseguiu congregar sindicalistas e petroleiros organizados nas duas federações da categoria, incluindo a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

“O primeiro evento que a gente participou foi na sede do Sindipetro do Rio de Janeiro, da FNP, o que mostra o entusiasmo do pessoal de lá com o tema. Nós temos demandas em comum, ou seja, de lutar por um ambiente sindical e de trabalho mais acolhedor”, afirma Tiago Franco, diretor do Sindipetro Unificado dos Trabalhadores do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado – SP) e coordenador da Frente LGBT.

O Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro RJ), ligado à FNP, foi pioneiro na disposição em trabalhar a questão da sexualidade. Em 2018, o sindicato criou o Grupo de Trabalho de Diversidade e Combate às Opressões, que também se tornou um dos impulsionadores da Frente Petroleira LGBT.

Histórias de persistência

Atualmente, o coletivo reúne aproximadamente 50 trabalhadores, entre próprios e terceirizados da Petrobrás, de diversos estados do país. Um deles é Day Oliveira, técnico químico do petróleo no setor de Exploração e Produção da Bacia de Santos.

“Sou transgênero e acredito que um grupo como o nosso é capaz de trazer visibilidade e união entre os LGBTQIAP+ dentro da empresa. A Petrobrás ainda carece de muita informação e de políticas de inclusão, principalmente no que se refere à esta minoria. Na prática, esse assunto não é muito discutido, ainda é um tabu, principalmente em se tratando de pessoas trans”, aponta Day, que já soma 18 anos na Petrobrás.

“Nós temos demandas em comum, lutamos por ambiente sindical e de trabalho mais acolhedor”, afirma Tiago Franco (Foto: Guilherme Weimann)

Em 2018, a estatal passou a aceitar o uso do nome social, o que foi uma vitória para os trabalhadores LGBTs. Entretanto, uma das pautas da Frente é a elaboração de um protocolo mais simples e condensado para servir às pessoas que queiram fazer a transição de gênero.

“Uma ex-colega nossa, quando foi fazer a transição de gênero, pediu as contas da Petrobrás. Porque ela não teve apoio, informação e não viu ambiente para voltar e ser reconhecida como uma mulher”, recorda Tiago.

Reivindicações

O dirigente também chama a atenção para os reflexos da atual gestão da empresa sobre os trabalhadores LGBTs, especialmente pelo cenário de escassez de novos concursos na companhia. “Historicamente, com todo esse ambiente LGBTfóbico, e principalmente transfóbico, você tem um acesso ao mercado de trabalho muito dificultado. Então, quando você tira a subjetividade do avaliador, que tem grande possibilidade de ser transfóbico, você diminui a injustiça. O mesmo serve para a primeirização dos serviços. Infelizmente, o cenário atual se mostra contrário a tudo isso”, explica Tiago.

A falta de perspectiva de concursos também pode afetar as mulheres petroleiras. Atualmente, o quadro de funcionários da Petrobrás é composto por 83% de homens e apenas 17% de mulheres. A porcentagem é baixa se comparada a outras categorias, mas é um avanço histórico dentro da Petrobrás.

Mesmo diante dessa realidade adversa, a Frente Petroleira LGBT surge como uma resposta de resistência e esperança dentro da categoria. Essa é a opinião de Nicole Simone Flesch Doberstein, petroleira há 16 anos e atualmente técnica química na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada no município de Canoas (RS).

“O grupo veio como uma forma de fortalecer e integrar petroleiras e petroleiros engajados nas lutas no país inteiro. Mas vale ressaltar que não é um grupo de importância apenas para LGBTIs, e sim para todas e todos aqueles que querem um mundo mais igualitário, que lutam pelas causas de direitos humanos, igualdade e respeito racial, de gênero, de classe social, causas ambientais, diversidade de crenças e além, é claro, das causas dos LGBTIs”, celebra Nicole.

Frente LGBT realizou debate na regional SP do Sindipetro Unificado (Foto: Divulgação)

Com esse espírito, Tiago indica que a Frente pretende, logo que melhorar a situação provocada pela pandemia do novo coronavírus, pautar a criação de um comitê de diversidade, para servir como uma referência, e de um Censo LGBT dentro da categoria.

Durante esse ano, a Frente já realizou debate na regional de São Paulo do Sindipetro Unificado; organizou atividade de formação na Estação Cultural de Campinas (SP), em parceria com o coletivo Vida Nova; e deu apoio a trabalhador em denúncia na ouvidoria da Petrobrás em caso de demissão por homofobia na Bacia de Campos.

O trabalho da Frente Petroleira LGBT pode ser acompanhado pelas páginas do Instagram e Facebook.

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