Empresa tenta enganar categoria

Por Norian Segatto

Em um comunicado emitido na quinta-feira, 16, a gestão da Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR) / Petrobrás tentam iludir e dividir os trabalhadores. Os mais antigos devem se lembrar de uma publicidade do jornal Folha de S.Paulo cujo tema era de que é possível contar mil mentiras falando apenas a verdade. No filme do jornal, enquanto se enumerava uma série de qualidades de um estadista ia aparecendo o rosto de Adolph Hitler. É mais ou menos isso que o comunicado da Ansa tenta fazer: destacar o que é secundário para ocultar o fundamental.

O comunicado erra ao dizer que a Ansa é uma empresa autônoma. Faz essa afirmação, mas logo abaixo informa que “A Petrobras empenhou todos os esforços para a venda da empresa”. O comunicado “Fatos e Dados”, de 11 de setembro de 2017, afirma: “A Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa) é uma subsidiária integral da Petrobras desde 2013”. Ou seja, a Ansa faz parte do Sistema Petrobrás.

Outra mentira: A fábrica está sendo fechada por apresentar prejuízos constantes. No mesmo “Fatos e Dados”, a Petrobrás afirma que sua opção é sair do setor de fertilizantes. A iniciativa faz parte da estratégia de saída integral da produção de fertilizantes, conforme divulgado no Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. Ou seja, não são os resultados econômicos o primordial da decisão de fechar, isso estava decidido na formulação do PNG.

Em comunicado para os trabalhadores, a direção do Sindiquímica-PR questiona: “A Petrobrás alega prejuízo, mas é ela mesma quem produz matéria prima que gerar ureia e amônia na unidade, já que o RASF (resíduo asfáltico utilizado para produzir Ureia e Amônia) é derivado da Repar, refinaria da estatal e que fica exatamente ao lado da Ansa/Fafen-PR, em Araucária-PR. Ou seja, quem produz e precifica é a própria empresa! Cadê o prejuízo?”

A Ansa informa que “cumpriu rigorosamente o ACT”. Será? A companhia diz que se reuniu com o Sindicato dos Químicos do Paraná, mas a tal reunião foi apenas para fazer um aviso formal de que a fábrica seria desativada e os trabalhadores demitidos. Esse não é o espírito da Cláusula 26 do ACT, que prevê “negociação”, o que efetivamente não ocorreu. O diretor da FUP e funcionário da Araucária, Gerson Castellano, informa que apesar de os trabalhadores da Fafen-PR terem um ACT próprio, ele foi construído a partir do ACT da Petrobrás e conta com a mesma cláusula sobre demissão em massa.

A questão de fundo que o movimento sindical questiona é que a produção de fertilizantes é estratégico para o país. Com o fechamento da Fafen, o Brasil terá de importar 100% dos fertilizantes nitrogenados que consome, mais uma vez deixando o país à completa dependência dos humores do mercado internacional. O Brasil ficará dependente, também da importação de ARLA 32, reagente químico utilizado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos pesados que utilizam diesel como combustível. Em uma única tacada vamos comprometer (e encarecer) o meio ambiente e a agricultura.

O fechamento da Fafen Araucária também afetará toda a cadeia produtiva do entorno, gerando prejuízos em escala. Como poderão ser absorvidos os mil trabalhadores que serão demitido?

À primeira leitura o comunicado da Ansa parece correto e com bons argumentos, mas que não se sustentam à medida que o quadro total é desvendado e se vê o que realmente está em jogo e quais são os principais prejudicados com essa decisão.

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