Transpetro dá indícios de que a saúde financeira da empresa continua dependendo do adoecimento de seus trabalhadores terceirizados

Por Bronca do Peão*
Na Transpetro, parece que o dinheiro vai cada vez mais entrando na frente dos trabalhadores e trabalhadoras. A meta sagrada agora é bater um bilhão de lucro — e para alcançar o milagre, o sacrifício será humano.
Até outro dia o presidente estava passando nos terminais, falando bonito, dizendo que agora sim os terceirizados iam ter plano de saúde de verdade e que se estendia à família. Muita gente acreditou.
Mas bastou virar o mês para mudar o discurso. Agora é corte pra todo lado: tiraram o plano de saúde da família, diminuíram vale-transporte, vale-refeição, e tão mandando embora um monte de gente. Já tem colega recebendo aviso e sendo demitido.
Tudo isso para quê? Para que a empresa possa ostentar um número bonito e seguir distribuindo dividendos aos acionistas, como se o bem-estar de quem faz a roda girar fosse detalhe contábil.
Curioso é que o discurso segue mascarado de modernidade. Fala-se em “eficiência”, “otimização” e “sustentabilidade financeira”, mas o que se pratica é o velho método de garantir o lucro sacrificando quem produz. Não se fala em rever contratos milionários, em limitar bônus de diretoria ou em discutir a obscena distribuição de dividendos. A tesoura só alcança o elo mais fraco: o trabalhador.
Ou seja, o discurso é de “eficiência”, mas o método é o mesmo de sempre: cortar embaixo para que sobre em cima. É curioso como a saúde financeira da companhia depende, invariavelmente, do adoecimento de quem trabalha nela.
É uma ironia amarga: enquanto o país fala em transição energética, em um futuro sustentável, a Transpetro faz a transição para o passado — o da exploração aberta e do desmonte social.
E tudo isso em nome de uma cifra simbólica, um número redondo, um “bilhão” que enfeita o relatório anual e garante manchete de jornal. Mas, para quem trabalha, esse bilhão vem com outro nome: corte, insegurança, adoecimento e injustiça.
Mais uma vez, o preço da meta é pago por quem carrega a empresa nas costas — e o prêmio é embolsado por quem a observa de longe, do conforto dos conselhos de administração.
A pergunta que fica é simples: de que vale um bilhão, se para alcançá-lo a empresa se torna incapaz de cuidar das pessoas que a constroem?
