Nos terminais OSBRA, o trabalho multiplicou, mas o quadro de limpeza continua dividido por dois — e a conta não fecha nem com reza brava

Por Bronca do Peão*
Depois da pandemia, parece que o vírus foi embora, mas a redução de pessoal ficou. Voltaram os escritórios cheios, as salas lotadas, o entra e sai de gente… só não voltaram os trabalhadores da limpeza. Em Senador Canedo, por exemplo, continuam apenas duas pessoas. Isso mesmo: dois pra dar conta de tudo.
O número de funcionários dobrou, o de sujeira triplicou, mas o time da limpeza continua reduzido — e exausto. É como se a Transpetro achasse que vassoura se move sozinha, que pano de chão se torce por telepatia e que o suor humano é fonte renovável de energia.
Não há máquina de lavar, não há equipamento moderno, não há reforço. Há apenas o velho improviso e a força de quem não desiste. O pessoal da limpeza é excelente — trabalhador de verdade, comprometido, daqueles que dão orgulho de ver. Mas até o melhor dos guerreiros precisa de reforço.
Enquanto isso, nós, os demais, ficamos constrangidos em ver o esforço deles e chegamos a dizer: “deixa, a gente ajuda”. Mas não era pra ser assim. O trabalhador não devia ter que escolher entre cumprir sua função ou varrer o corredor.
A Transpetro se diz gigante, tecnológica, moderna. Mas nesse ponto, parece que parou no tempo — o tempo em que o serviço pesado era invisível e o cansaço, parte do uniforme.
