Ataque à Saudi Aramco gera aumento no preço do petróleo internacional

Neste sábado (14), dois drones, supostamente vindo de rebeldes do Iêmen, atacaram as duas principais instalações de uma das maiores petrolíferas do mundo, a Aramco, localizada na Arábia Saudita. Incêndios grandiosos foram provocados e a produção foi interrompida, gerando uma perda de cerca de 5 milhões de barris por dia, o que corresponde à 6% do consumo mundial diário.

A Aramco é considerada a maior empresa petrolífera do mundo em termos de processamento de petróleo, sendo responsável pela produção de 10 milhões de barris diariamente. Ainda, a Arábia Saudita fornece 10% de todo o petróleo mundial, o que a define como exportadora do produto.

Após o ataque, os preços aumentaram entre 15% e 20% no mercado financeiro internacional, afetando mais da metade da produção na Arábia Saudita. Alguns analistas acreditam em um possível aumento inicial de até 10 dólares no preço do barril de petróleo, que atualmente custa 60 dólares, podendo chegar a 100 dólares se o problema não for brevemente solucionado. Ainda, temem que a volta dos 10 milhões de barris diários produzidos pela estatal possa levar semanas ou até mesmo, meses.

 

E como fica no Brasil?

O preço brasileiro é controlado pelo dólar, então, a tendência é que ele aumente após o ataque à Aramco, visto que é o que acontece no mercado internacional.

Entre os dias 17 e 19 de setembro, acontece a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que define a taxa básica de juros (Selic). Até a segunda semana de setembro, especialistas especulavam que as taxas seriam reduzidas devido à baixa inflação e estagnação do crescimento brasileiro. Contudo, essa incerteza no mercado internacional, apesar da alta imediata no preço do petróleo, coloca em dúvida se os juros irão mesmo cair.

A política de preços da gestão Bolsonaro ainda não foi definida, mas de acordo com especialistas, o petróleo no Brasil pode sofrer um reajuste de até 10%, o que também pode gerar um aumento no preço de outros combustíveis.

Na segunda (16), Bolsonaro disse em entrevista na TV Record que a Petrobrás não vai mexer no preço dos combustíveis e que o aumento internacional é algo “atípico”, ignorando o ataque nas instalações da Aramco.

Já nesta quarta (18), a Petrobrás anunciou um reajuste de preço nas refinarias de 3,5% na gasolina e 4,2% no diesel. Esse valor representa no preço final, ou seja, nas bombas, 30% para a gasolina e 50% para o diesel em relação ao reajustamento das refinarias.

Segundo o conselheiro administrativo e representante dos trabalhadores da Petrobrás, Danilo Silva, “o importante de se ter uma empresa pública como a Petrobrás, é que o estado pode interferir na política de preços, evitando, no caso, que o consumidor brasileiro sentisse de imediato o aumento no combustível, como aconteceu em diversos países ao redor do mundo”, finalizou.

 

Sobre o álcool

Os brasileiros se depararam com o aumento do etanol a partir do dia 16. De acordo com a pesquisa realizada pela Cepea, o álcool subiu 1,83%, equivalente a R$1,784 a cada litro.
Esse acréscimo está diretamente ligado ao fato de que a produção de etanol no Brasil pertence ao setor privado, portanto obedece às demandas do mercado, diferente da Petrobrás que é uma empresa de comando estatal e é capaz de controlar os preços da gasolina.