
Federação orientou trabalhadores para não participar do plebiscito que a companhia tentou enfiar goela abaixo dos trabalhadores, para referendar mudanças na tabela de turno
Por Norian Segatto
Turno ininterrupto de revezamento é coisa muito séria, especialmente se tratando de uma atividade como a dos petroleiros, que envolve riscos e qualquer problema pode causar acidentes e prejuízos. Com os cortes de efetivo e a pressão cada vez mais constante por metas, o trabalho em turnos tem de ser avaliado com extrema cautela.
Foi pensando assim que a FUP, desde o final da campanha reivindicatória, vem apontando para a manutenção das atuais tabelas de turno. A Federação e representantes da empresa se reuniram três vezes em novembro, nos dias 14, 21 e 28, mas não chegaram a um consenso porque a gestão de RH rompeu o processo negocial. Há diversos pontos questionáveis na proposta da empresa. Na tabela 3×2, por exemplo, o trabalhador só terá um descanso completo no final de semana a cada ciclo de 35 dias. Questões como as dobras, as permutas e o retorno de férias com saldo negativo também ficaram em aberto.
Em uma videoconferência realizada no dia 2 de dezembro, o RH orientou as unidades do sistema que praticam turno de revezamento de oito horas a apresentarem quatro tabelas aos trabalhadores durante um plebiscito interno, marcado para ocorrer até o dia 15 de dezembro.
Processo semelhante já havia sido realizado em junho e denunciado pela FUP por ter sido feito à revelia de negociação com as entidades sindicais e sem possibilidade de auditoria. “ A gestão da Petrobrás ainda impôs a condição de que a tabela mais votada só seja adotada se houver acordo com os sindicatos. Caso contrário, a tabela adotada será a tabela X”, informou a Federação em matéria em seu site.
Setoriais e assembleias
Devido à postura da empresa, os sindicatos convocaram reuniões setoriais nas unidades para explicar aos trabalhadores como foram as tentativas de negociação, a proposta de mediação que a FUP fez para o Tribunal Superior do Trabalho (TST), os perigos da tabela que a Petrobrás quer impor, a ilegitimidade do plebiscito e a necessidade de uma postura firme por parte da categoria para não abrir essa brecha que terá graves consequências no futuro.
Na Recap, inclusive, a gestão “capitão do mato” tentou impedir que o Sindicato conversasse com os trabalhadores (leia matéria na página 2). Nas demais unidades, o clima foi tranquilo.
As assembleias realizadas nas bases do Unificado ratificaram a posição e a proposta da FUP. “Terminamos o ano com uma boa luta, que terá continuidade nos primeiros dias do próximo ano”, avisa o coordenador do Unificado, Juliano Deptula.
