Após mobilização de trabalhadores e sindicato, AMS credencia hospitais em GRU e BAR

Credenciamento do São Luiz Guarulhos e da Rede D’Or Alphaville encerra um impasse histórico, melhora o acesso à saúde e atende reivindicação antiga de trabalhadores da Transpetro

Inclusão de hospital São Luiz de Guarulhos no sistema AMS é conquista da luta de trabalhadores e sindicato (Foto: Divulgação)

Por Vítor Peruch

Após mais de uma década de reivindicações, trabalhadores e trabalhadoras da Transpetro nos terminais de Guarulhos e Barueri, na região metropolitana de São Paulo, conquistaram o credenciamento de hospitais próximos pelo plano Saúde Petrobrás (AMS). A mudança põe fim a um cenário recorrente de deslocamentos longos até a capital paulista para atendimentos de urgência, emergência e consultas especializadas.

Em contato com diversos trabalhadores das duas unidades, o relato é convergente: a ausência de hospitais de referência credenciados nas regiões onde vivem e trabalham gerava insegurança, atrasava os atendimentos e impunha custos adicionais de tempo e deslocamento. Em Guarulhos, a situação era agravada pela avaliação negativa, feita pela própria categoria, da rede hospitalar local disponível até então.

“Desde sempre, Guarulhos nunca teve hospitais de qualidade. Os que existem acumulam histórias de descaso, de não atendimento e até de erros médicos graves. Por isso, quando precisávamos de hospital, quase sempre íamos até o São Luiz do Anália Franco, que era o mais próximo com alguma referência, mesmo ficando longe”, relata um trabalhador do terminal, que acompanha o tema há anos.

Segundo ele, a inauguração do Hospital São Luiz Guarulhos, da Rede D’Or, reacendeu a expectativa de solução. “Entrei em contato várias vezes para saber se atenderia nosso convênio, mas diziam que o contrato ainda estava em processo. Fiz contato com a AMS, não tive retorno, e procurei o sindicato. A partir daí, sindicato e trabalhadores passaram a pressionar de forma mais organizada”, afirma. O avanço veio após reuniões com a ouvidoria da AMS na sede do Sindipetro Unificado. “Hoje, com acesso ao São Luiz Guarulhos, o atendimento de pronto-socorro ficou mais próximo, o agendamento de consultas e exames melhorou muito e não precisamos mais perder horas no trânsito para cuidar da saúde”, completa.

Em Barueri, o problema era semelhante. Trabalhadores relatam que, até recentemente, havia poucas opções credenciadas pela AMS ou APS na região, inclusive para casos de urgência. “Em emergências, a alternativa era se deslocar até São Paulo”, resume um empregado do terminal. Em setembro de 2023, a categoria iniciou uma mobilização interna para o credenciamento de um hospital da Rede D’Or em Osasco, com abertura de diversos chamados formais à APS. Apesar da ampla presença da rede em outras cidades, o pedido não avançou naquele momento.

A pressão continuou por meio de contatos diretos com a APS itinerante, durante visitas às regionais do sindicato em Campinas, São Paulo e Mauá. O resultado veio em dezembro de 2025, com o credenciamento do Hospital Rede D’Or Alphaville, considerado suficiente para atender à demanda da região. “Foi uma conquista construída coletivamente, com insistência e organização dos trabalhadores”, resume o relato.

Para o diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Araújo, o desfecho evidencia o peso da mobilização sindical diante de um problema que se arrastava há anos. “Foi uma luta árdua e coletiva. Os trabalhadores viviam uma situação absurda: precisavam se deslocar até São Paulo para qualquer emergência. Mobilizamos a base, pressionamos a AMS constantemente e não aceitamos o descaso. A conquista do São Luiz Guarulhos e da Rede D’Or Alphaville é fruto da organização sindical e da persistência dos trabalhadores”, afirma.

Araújo destaca que o impacto vai além do conforto e atinge diretamente a segurança da categoria. “Saúde não pode ser privilégio, é direito básico. Agora, em caso de urgência, o trabalhador tem atendimento a poucos quilômetros. Isso salva vidas. Além disso, consultas e exames ficaram mais acessíveis, sem o desgaste de horas no trânsito. É dignidade conquistada na prática pela luta coletiva”, diz.

Na avaliação do dirigente, a vitória também deixa uma lição para o conjunto da categoria. “Mostra que organização e mobilização funcionam. Sozinho, o trabalhador não teria essa conquista. O sindicato é instrumento de luta, e essa vitória prova que, quando a categoria se une e pressiona, conseguimos melhorias concretas. É um exemplo de que vale a pena lutar pelos nossos direitos”, conclui.

 

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