Documento protocolado junto à empresa reúne deliberações das assembleias, abaixo-assinado dos trabalhadores e defende um projeto-piloto construído de forma conjunta entre Petrobrás e Sindicato

O Sindipetro Unificado protocolou um ofício junto à gestão da Refinaria de Capuava (Recap) solicitando a criação de um Grupo de Trabalho para avaliar a implantação de um projeto-piloto de Vale-Alimentação/Vale-Refeição (VA/VR) destinado aos trabalhadores do horário administrativo da unidade. O pedido é fundamentado em deliberações aprovadas em assembleias da categoria e em um abaixo-assinado elaborado por trabalhadores do setor administrativo.
Segundo o documento encaminhado à empresa, o Grupo de Trabalho deverá reunir representantes da Petrobrás e do Sindicato para construir a viabilidade técnica e operacional da proposta. O ofício também foi encaminhado à sede da companhia e reafirma o resultado das assembleias realizadas desde 2025, que apontaram posições distintas entre os regimes de trabalho da refinaria: enquanto os empregados do horário administrativo aprovaram a substituição do atual modelo de alimentação pelo VA/VR, os trabalhadores em regime de turno deliberaram pela manutenção do sistema vigente.
A separação das assembleias foi adotada pelo Sindipetro Unificado após consultas à categoria e, segundo o ofício, levou em consideração diferenças jurídicas entre os dois regimes de trabalho. O documento ressalta que os trabalhadores em turno ininterrupto são abrangidos pela Lei nº 5.811/1972, que estabelece regras específicas para o fornecimento de alimentação, enquanto os empregados do horário administrativo não estão submetidos à mesma legislação.
De acordo com o diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Augusto, o resultado das assembleias foi mantido mesmo após uma nova consulta realizada neste ano. “Nós já vínhamos debatendo esse tema desde o ano passado. O turno rejeitou a mudança e o administrativo aprovou o VA/VR. Neste ano refizemos a votação e o resultado se repetiu: o turno decidiu novamente pela manutenção do modelo atual, enquanto o horário administrativo reafirmou a defesa da implantação do VA/VR”, afirmou.
Segundo ele, a proposta apresentada pelo Unificado desde então é que a Petrobrás implemente o novo modelo apenas para o horário administrativo, preservando o sistema atual para os trabalhadores de turno. “O que a gente tem proposto para a refinaria é implantar o VA/VR no administrativo e manter o turno como está hoje. O problema é que a empresa condicionou a implantação ao conjunto dos trabalhadores, ou implanta para todo mundo ou não implanta para ninguém”, disse. Para o dirigente, essa posição “tem gerado uma insatisfação grande entre os trabalhadores do horário administrativo”.
A mobilização ganhou novo impulso após uma reunião setorial realizada em 5 de maio, que reuniu mais de 80 trabalhadores do horário administrativo da Recap. Segundo o Sindicato, o encontro deliberou pela realização de um abaixo-assinado exigindo a implantação do VA/VR para esse grupo de empregados e defendendo a criação de um Grupo de Trabalho para construir alternativas que permitam a implementação da proposta.
“O abaixo-assinado é mais um instrumento para demonstrar a posição dos trabalhadores e pressionar a empresa a instalar esse Grupo de Trabalho”, afirmou Pedro Augusto. Segundo ele, o objetivo é reunir representantes da refinaria, da sede da Petrobrás e do Sindicato para avaliar a viabilidade da medida. “Queremos construir um projeto-piloto na Recap. A ideia é que esse Grupo de Trabalho encontre um modelo viável para essa implantação.”
No ofício protocolado, o sindicato reafirma que o abaixo-assinado representa mais uma manifestação formal da categoria em defesa da proposta já aprovada pelos trabalhadores do horário administrativo e solicita que a empresa abra o processo de negociação por meio da constituição do Grupo de Trabalho.
Pedro Augusto afirma que o protocolo do documento representa uma nova etapa da mobilização. “Esse ofício é mais um passo da luta dos trabalhadores do horário administrativo da Recap. Esperamos que a empresa responda positivamente e abra esse espaço de construção. Enquanto isso, é fundamental que os trabalhadores permaneçam mobilizados e organizados para definir os próximos passos, caso isso seja necessário”, declarou.
