Em mobilização nacional, petroleiros vão às bases para garantir direitos e ampliar campanha de reestatização

Categoria se mobilizou nesta terça nos terminais de São Caetano, Barueri, Guararema, Guarulhos e Senador Canedo; agenda continua até sexta

O diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Augusto, fala a petroleiros durante ato de mobilização na base de São Caetano do Sul (Foto: Sindipetro Unificado)

Petroleiros e petroleiras de diversas unidades do Sistema Petrobrás realizam, nesta semana, uma série de mobilizações em diferentes regiões do país para cobrar o cumprimento de compromissos assumidos pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). As atividades fazem parte de um calendário nacional aprovado pela categoria e seguem ao longo dos próximos dias.

Nas bases do Sindipetro Unificado, houve atos nos terminais da Transpetro de São Caetano do Sul, Barueri, Guararema, Guarulhos e também em Senador Canedo (GO). As mobilizações reuniram trabalhadores da ativa, aposentados e dirigentes sindicais, com pautas que incluem a retomada das negociações sobre planos de cargos, a discussão sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a mediação de questões relacionadas aos planos de equacionamento de déficits.

Durante ato realizado no Terminal de Guarulhos, o diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Araújo, afirmou que a mobilização busca pressionar a gestão da empresa a retomar o diálogo com a categoria. “Estamos hoje aqui pelo sistema Petrobrás, para que a presidenta Magda, conforme a carta de compromisso que foi tirada durante a negociação do acordo coletivo para interromper a greve, volte a negociar pelos planos de cargos, pelos planos de equacionamento que estão atingindo os nossos trabalhadores aposentados, e pela negociação da PLR 2026”, disse.

Segundo ele, os trabalhadores têm buscado reforçar a mobilização como forma de garantir avanços nas negociações. “Os trabalhadores estão aqui hoje fortalecendo essa luta, e é importante que a gestão da Petrobrás volte a olhar para os interesses dos trabalhadores, que é quem produz a riqueza da nossa empresa”, declarou.

Além das pautas internas, as mobilizações também têm sido utilizadas como espaço de diálogo com a população sobre os impactos de processos de privatização no setor de energia. Durante os atos, dirigentes sindicais destacaram o aumento de preços de combustíveis e gás como um dos efeitos dessas mudanças.

Araújo mencionou especificamente a venda de ativos da companhia. “Nos governos Temer e Bolsonaro, nós perdemos a BR Distribuidora, refinarias, a Liquigás. Isso está impactando o preço para a população e a gente está tendo a oportunidade de fazer essa discussão, de movimentar a sociedade civil para que a gente tenha de volta o direito de disputar os preços que estão impactando a cesta de compra de todo trabalhador brasileiro”, afirmou.

Outro ponto levantado pelos dirigentes diz respeito à qualidade dos serviços após privatizações em diferentes setores. Durante as mobilizações, foram feitas comparações com áreas como transporte ferroviário, energia elétrica e saneamento, com críticas à queda de qualidade percebida nesses serviços.

O diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Augusto, presente no ato em São Caetano do Sul, destacou que as mobilizações têm como eixo central o cumprimento dos acordos firmados com a categoria. “Aquilo que é negociado em mesa, os acordos que nós firmamos, é para serem cumpridos”, afirmou. Ele acrescentou que a categoria tem histórico recente de mobilização para garantir direitos. “No ano passado, a gente teve que fazer uma luta, uma greve, inclusive, para que a gente pudesse ter a nossa PLR”, disse, ao relembrar disputas envolvendo o pagamento do benefício.

Pedro também citou divergências em torno de mudanças propostas pela empresa, como no regime de teletrabalho. “A Petrobrás queria impor, goela abaixo, um modelo que não levava em consideração a vida das pessoas”, afirmou.

Ao abordar o cenário mais amplo do setor, o dirigente associou a estrutura da empresa à política de preços e ao abastecimento. “Se o Brasil, neste momento, não está com a disparada dos preços dos combustíveis, é justamente porque o governo brasileiro teve medidas que diminuíram o impacto dessas medidas”, declarou, relacionando o tema ao contexto internacional de alta do petróleo.

Segundo ele, a mobilização também envolve a defesa de uma empresa integrada e com participação estatal. “A gente sabe que com a Petrobrás forte e integrada a gente pode desenvolver uma transição energética justa e soberana”, disse.

A mobilização registrou forte adesão de trabalhadores em diferentes terminais e unidades operacionais, com participação ativa nas atividades convocadas pelo sindicato. Dirigentes destacam o engajamento dos petroleiros nas bases e ressaltam o apoio dos trabalhadores ligados ao Sindipetro São José dos Campos, que também têm contribuído para fortalecer o movimento e ampliar a presença da categoria nas ações previstas no calendário nacional.

A mobilização também é associada, por dirigentes sindicais, ao cenário político nacional. Segundo eles, a continuidade das negociações e a possibilidade de avanço em pautas da categoria estão relacionadas à manutenção de um ambiente institucional favorável, o que inclui a defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação apresentada nas atividades é de que a organização da categoria e a atuação política caminham de forma articulada.

A luta continua

As atividades seguem ao longo da semana. Nesta quarta-feira (24), está previsto um ato em São Paulo, no edifício conhecido como Edisp. Na quinta-feira (25), as mobilizações ocorrem em bases sindicais em Campinas, Mauá e na capital paulista, com participação de aposentados. Já na sexta-feira (26), estão programadas atividades nas refinarias de Paulínia (Replan) e Capuava (Recap).

De acordo com os dirigentes sindicais, a continuidade das mobilizações busca manter a pressão sobre a empresa e ampliar o debate público sobre os rumos do setor de petróleo e energia no país.

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