Petroleiros destacaram a importância da luta dos trabalhadores em defesa da Petrobrás como chave para a retomada do prédio administrativo da empresa em São Paulo

O processo de reconstrução de uma empresa que foi propositalmente desmontada com o objetivo de deixar ela nas mãos do capital especulativo tem momentos de muita dificuldade e esforço, é demorado, mas também tem momentos de alegria, como o que aconteceu nesta terça-feira (31) no Espaço Petrobrás de cinema, na famosa Rua Augusta, da cidade de São Paulo. Petroleiros e petroleiras do Sindipetro Unificado participaram do ato de celebração de um ano da reinauguração do Edisp, prédio administrativo da Petrobrás na capital paulista fechado em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro, com o suposto objetivo de “redução de custos”.
A categoria lutou contra o fechamento do prédio. Sabia muito bem que essa dita redução de custos não passava de uma desculpa para mascarar a pesada ofensiva contra a Petrobrás, que estava sendo destruída por dentro desde o golpe de 2016, com um processo de venda de ativos estratégicos e de desmonte em todas as áreas do sistema, que incluía perseguição sindical e piora nas condições de trabalho.
O diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Augusto, explica o que representa o ato desta terça-feira em relação a esse processo de desmonte: “É um evento simbólico, um marco do ponto de vista político, que marca a retomada do projeto da Petrobrás como um instrumento de desenvolvimento nacional. O fechamento do prédio administrativo em São Paulo foi parte do projeto de desmonte da empresa, e fez com que muitos trabalhadores se espalhassem por diversas unidades na grande São Paulo, no Rio de Janeiro ou fossem trabalhar em coworkings, onde é muito difícil manter uma relação institucional e um vínculo com outros trabalhadores, o que dificulta que os trabalhadores se sintam pertencentes à empresa”. Esse aspecto, acrescenta ao simbolismo um caráter humano, na visão do dirigente: “O ato de hoje também tem essa dimensão de ser um marco para a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, que hoje estão podendo voltar a trabalhar no Edisp, a ter um espaço que congrega diversos setores da empresa”.
Unidade para garantir a reconstrução

Rodrigo Araújo, diretor de comunicação do Sindipetro Unificado, afirmou: “É muito bom poder estar aqui comemorando junto com os trabalhadores e trabalhadoras, que foram tão duramente atingidos por todo esse processo de desmonte. É importante essa participação, esse diálogo, pois são eles que constroem a Petrobrás todos os dias. O trabalho sindical dos trabalhadores e suas mobilizações são centrais para a reconstrução da Petrobrás, para que ela volte a servir a sociedade brasileira, essa é a nossa luta histórica. Precisamos seguir juntos e estar preparados para os momentos difíceis que poderão vir”.
A diretora do Unificado e da FUP, Cibele Vieira, também destacou o simbolismo deste dia e deste edifício: “Às vezes a gente banaliza alguns simbolismos, e é preciso destacar o peso e a importância desse momento e desse prédio. Se fosse em outra conjuntura, em outra gestão, a gente nem estaria aqui, e se tivesse conseguido estar aqui não estaria comemorando, porque estávamos num contexto de desmonte. É muito representativo deste momento de reconstrução”.
A diretora afirmou que esse processo não está garantido, e sinalizou a importância da unidade para o próximo período, que inclui grandes desafios, como a eleição presidencial: “Infelizmente demora para reconstruir tudo o que foi desmontado, mas estamos conseguindo avançar. O problema é que esse processo de reconstrução de uma Petrobrás forte não está garantido. Novamente, essa categoria está no olho do furacão e em luta. A gente pede a cada um de vocês que não se omitam no debate que já está presente esse ano, a gente sabe muito bem que o que a gente passou vai voltar de uma forma muito mais agressiva, não só para as estatais mas para o Brasil, caso a ultradireita ganhe a eleição. Precisamos estar organizados coletivamente e nos fortalecer para evitar isso”.
Arte e cultura marcam celebração e reforçam vínculo da Petrobrás com a sociedade


O evento também foi permeado por expressões artísticas que reforçaram o caráter simbólico e cultural da celebração. O cartunista Luciano Veronese, conhecido por seu trabalho no programa Roda Viva e no jornal Folha de S.Paulo, participou do evento e produziu intervenções ao vivo, dialogando com o momento político e com a trajetória da Petrobrás.
A programação contou ainda com apresentações musicais dos artistas Stephanie Aiola, Vitor Guedes, Pedro Mendes e Edinho Silva, que levaram ao público um repertório de chorinho e samba no espaço de convivência do evento. Encerrando a celebração, uma jovem violonista, bolsista da Fundação Cultura Artística em iniciativa viabilizada com apoio da Petrobrás, apresentou os prelúdios 1, 2, 5 e 6 de Heitor Villa-Lobos, reafirmando a conexão entre a empresa e a valorização da música brasileira.
O evento foi realizado no Espaço Petrobrás de Cinema, fortalecendo uma relação histórica entre a Petrobrás e a cultura. Diretor de programação do espaço, Adhemar de Oliveira destacou o papel estratégico desse vínculo ao longo das últimas décadas: “Este é um evento que também cumpre a função de contrapartida do patrocínio da Petrobrás ao espaço. A Petrobrás é uma empresa de energia e, durante 30 anos, apoiou a área da cultura, que também é energia, que movimenta ideias, projeta o país e coloca à disposição do mundo os modos de vida do povo brasileiro. Defender a cultura também é defender o Brasil”.
