Petroleiros e petroleiras do Sindipetro Unificado reforçam a mobilização nacional e denunciam desigualdades no Sistema Petrobrás

Vítor Peruch, com informações da CUT
Com faixas, palavras de ordem e reivindicações históricas, milhares de trabalhadoras e trabalhadores de diversas categorias tomaram as ruas de Brasília na manhã desta terça-feira, (29), durante a Marcha Nacional da Classe Trabalhadora. A mobilização unificada reuniu autônomos, aposentados, servidores públicos e profissionais com ou sem carteira assinada, que marcharam até os principais centros de poder da capital federal: o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Ministério do Trabalho e a Presidência da República.
Organizada por centrais sindicais como a CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Pública e Intersindical Central, a marcha teve como principal bandeira a redução da jornada de trabalho sem redução de salário — uma pauta antiga do movimento sindical que ganha força diante dos avanços tecnológicos e do aumento da produtividade, que não têm sido acompanhados por uma distribuição mais justa do tempo e da riqueza produzida.
Petroleiros em marcha

A categoria petroleira teve presença expressiva na mobilização, com delegações vindas de várias partes do país. O Sindipetro Unificado levou uma comitiva que participou ativamente da caminhada, empunhando as bandeiras da isonomia, do fim das escalas exaustivas e da valorização dos trabalhadores terceirizados no Sistema Petrobrás.
Para o diretor do Sindipetro Unificado Steve Austin, a pauta da jornada é central para os petroleiros: “Os petroleiros não poderiam estar de fora da Marcha da Classe Trabalhadora, que traz como pauta principal a redução da jornada de trabalho. Nós, petroleiros, temos essa pauta nas bases da Petrobrás. Hoje, o trabalhador terceirizado trabalha uma hora a mais por dia do que o petroleiro concursado. Temos que ter isonomia das condições de trabalho no Sistema Petrobrás”.
Rodrigo Araújo, também diretor do sindicato, destacou o caráter estruturante da mobilização: “Estamos aqui para reconstruir os direitos da classe trabalhadora. No Sistema Petrobrás também estamos tendo muitos problemas, principalmente com os trabalhadores terceirizados. As reformas da previdência e trabalhista e todas as leis que permitiram o crescimento da terceirização são um exemplo da desconstrução dos direitos dos trabalhadores. Só unidos em forma de sindicato e como classe trabalhadora é que iremos conseguir essa reconstrução. Iremos entregar para o presidente Lula as pautas fundamentais para a reconstrução dos nossos direitos”.
No carro de som, a Coordenadora-Geral do Sindipetro Unificado e diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira, reforçou a importância de se repensar a lógica do tempo e da vida dos trabalhadores: “Estamos aqui em Brasília na realização da Marcha da Classe Trabalhadora pela redução da jornada e fim da escala 6×1. Não é possível, com tantos avanços tecnológicos e na produção do trabalho, que poucos sejam beneficiados por isso. É possível reduzir a jornada de trabalho para todos terem mais tempo para suas vidas. Seguimos juntos, por um mundo mais justo e melhor”.
Já o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, também presente na capital federal, enfatizou o impacto da mobilização: “É importante essa Marcha da Classe Trabalhadora, com milhares de pessoas aqui em Brasília, justamente para nós pressionarmos tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo para que a redução da jornada de trabalho seja aprovada e também a isenção de imposto de renda para os trabalhadores e trabalhadoras que ganham até 5 mil reais. Sinceramente, fiquei muito surpreso, de forma positiva, pelo tamanho desta marcha. Tenho certeza que isso será um instrumento de pressão para a aprovação das pautas da classe trabalhadora que será entregue hoje ao Presidente Lula”.
Vereníssmo Barsante, também diretor do Sindipetro Unificado, ressaltou a união de todas as categorias de trabalhadores e trabalhadoras: “Essa luta é de todos e obviamente os petroleiros e petroleiras não poderiam deixar de estar aqui engajando com outras categorias. A unidade dá uma amostra do que podemos fazer. Estamos com todas as Centrais Sindicais do Brasil unidas lutando por mais direitos para os trabalhadores”.
Unidade pela reconstrução
A entrega formal da pauta ao presidente Lula representa mais do que um gesto simbólico: é um chamado à ação para reverter os desmontes dos últimos anos e construir um novo ciclo de valorização da classe trabalhadora no Brasil. Entre os pontos defendidos pelas centrais estão também o fim da reforma trabalhista de 2017, a valorização do salário mínimo, a regulamentação do trabalho por aplicativo e políticas efetivas contra o assédio moral e a precarização.
Mais do que uma marcha, o ato desta terça-feira reafirmou que a classe trabalhadora, organizada e unida, continua sendo a força que move o país — e que não deixará de lutar por condições mais dignas de trabalho e de vida.











